EDITORIAL: UMA LIVRARIA DE INTERESSE PÚBLICO

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Ontem, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma moção apresentada pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, no sentido de a Livraria Sá Costa ser classificada como de interesse público. A moção foi aprovada por unanimidade. Contudo, Manuel Salgado, Vice-Presidente da Câmara, que também assinou a moção, afirmou que a autarquia não dispõe de instrumentos legais que lhe permitam manter a actividade da livraria, e impedir que o espaço seja afecto a outro ramo.

Não conseguimos ainda ler com atenção o texto aprovado, apenas conhecemos o que saiu na comunicação social. Mas não nos levarão a mal chamar a atenção para a importância deste caso. Se um futuro proprietário puder usar partes frágeis das disposições legais para tornear as boas intenções agora manifestadas, não se duvide que o fará. O Chiado é um ponto vital de Lisboa, os interesses em jogo são grandes e de boas intenções está o inferno cheio. Por isso será aconselhável que se continue a prestar muita atenção à evolução futura deste caso.

O historial da Livraria Sá da Costa é muito valioso. E as suas edições têm um peso considerável na história da cultura portuguesa. Não será descabido sugerir a entidades como a Academia das Ciências, a Academia Portuguesa de História, a Sociedade de Língua Portuguesa, Sociedade Portuguesa de Autores, Associação Portuguesa de Escritores e outras que de momento não nos ocorrem, se coliguem para acompanhar este assunto de perto e fazerem propostas concretas sobre o património da Sá da Costa, nomeadamente os títulos de que é detentora. A cultura portuguesa é rica, mas nem a cultura mais rica do mundo pode desdenhar bens como as obras editadas pela aquela casa do nosso Chiado. A opinião pública terá de desempenhar o seu papel, sendo indispensável que esteja devidamente esclarecida e muito atenta.

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