A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Não temos a presunção de ser adivinhos. Aliás, só adivinhamos o que é evidente e quando se festejava a queda de Mubarak dissemos por aqui que a alternativa à ditadura de Hosni Mubarak não iria ser uma democracia plena – e aí temos o Egipto mergulhado no prelúdio de uma guerra civil. Forças Armadas com tradições na forma brutal como mantêm a ordem, manifestantes impregnados de um fanatismo que os leva a uma violência extrema. A Primavera Árabe foi uma ilusão. Alimentada por poderes exteriores? Ou será que ver a mão da CIA a manipular os acontecimentos é enveredar pela «teoria da conspiração»?
Uma breve nota. A intolerância sempre acompanhou certas correntes islâmicas que se formaram praticamente a seguir à morte de Maomé (tal como os cristãos começaram, desde bem cedo, a dividir-se em seitas). Em alguns períodos históricos e em certos territórios, as correntes tolerantes terão prevalecido, mas não sem a oposição, sempre insidiosamente presente, dos fanatismos. Disso trata, se bem se lembram, “O Destino”, um belíssimo filme de Youssef Chahine, um dos mais destacados cineastas egípcios, focando esse confronto na Andaluzia árabe, no tempo de Averroes. Suspeito de que é uma “doença prolongada” (e fatal), a que nenhuma religião escapa…
Sim, sem dúvida. Em todo o caso, a poesia de Omar Khayyam não seria hoje tolerada como o foi no século XI, com o poeta a elogiar as virtudes do vinho e afirmando que mais vale estar numa taberna com o espírito aberto à fraternidade do que na mesquita alimentando pensamentos egoístas.HOje, expender estas opiniões, valia-lhe uma fatwa. Os muçulmanos vivem no século XXI com princípios morais da nossa Idade Média – como naquelas histórias de ficção científica em que há universos paralelos…