AINDA TEMOS DE FALAR DE ALFABETIZAÇÃO? por clara castilho

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É hoje comemorado o dia mundial da alfabetização. A alfabetização é vista como o processo que desenvolve as habilidades de leitura e de escrita de um sujeito, tornando-o capaz de identificar e decifrar os códigos escritos.

Esta data surge após a tomada de consciência, por parte da comunidade internacional, de que a promoção  da alfabetização deve ser uma luta constante, tendo em vista conquistas como a paz, a erradicação da pobreza e a democratização. Isto porque, quanto mais pessoas analfabetas, menos desenvolvimento. Até o índice de cidadãos alfabetizados de um país indica o nível de desenvolvimento do mesmo.

A UNESCO leva a cabo diversas iniciativas, que têm como denominador comum lutar por esta meta que está longe de ser cumprida. A acção ‘Educação para Todos’ pretende aumentar os níveis de alfabetismo até 50 por cento, sendo que 2015 é o limite para esse objetcivo.

Mas saber ler não significa entender o que se lê…

E porque será na escola que se começa este processo de uma forma mais formal, fui rever o excelente livro “Cuidado escola!”, já com 33 anos, mas bem actual, de que tenho uma 23ª edição, de 1986, da Editora Brasiliense, de São Paulo. Os seus autores pertenciam a uma equipa do IDAC (Instituto de Acção Cultural), fundado em Genebra em 1971 por Paulo Freire.

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Ilustração do livro, de Claudius Ceccon

Transcrevo a apresentação escrita precisamente por este autor:

“ Enquanto categoria abstrata, instituição em si, portadora de uma natureza imutável da qual se diga é boa, é má, a escola não existe. Enquanto espaço social em que a educação formal, que não é toda a educação, se dá, a escola na verdade não é, a escola está sendo historicamente. A compreensão do seu estar sendo, porém, não pode ser lograda fora da compreensão de algo mais abrangente que ela – a sociedade mesma na qual se acha. A educação formal que é vivida na escola é um subsistema do sistema maior. As relações entre eles – subsistema e sistema maior – não são contudo mecânicas. Se não se pode pedir à escola, o que vale dizer, à educação formal, que se torne alavanca das transformações sociais, não se pense, por outro lado, que ela seja um puro reflexo do sistema que a engendra. Daí a afirmação com que começo esta breve introdução: enquanto categoria abstracta, instituição em si, portadora de uma natureza imutável da qual se diga que é boa, é má, a escola não existe. Daí também que não seja a escola a que se encontre em crise, como astuta e ingenuamente se insiste em apregoar, fala-se da crise da escola como se ela existisse desgarrada do contexto histórico-social, económico, político da sociedade concreta onde actua; como se ela pudesse ser decifrada sem a inteligência de como o poder, nesta ou naquela sociedade, se vem constituindo, a serviço de quem e desservindo a quem, em favor de que e contra que.”

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