MATEMÁTICA – COMPREENDER OU MEMORIZAR? por clara castilho

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Como vamos de matemática? A do governo sabemos que mal, visto que é uma moeda de duas caras – para uns reina a adição, para outros a subtracção.

E na escola? Soubemos que a média do exame nacional de matemática A do 12º ano caiu para 8,2 numa escala de 0 a 20. As estatísticas dizem que é o pior resultado dos últimos sete anos nesta disciplina e que a taxa de reprovações subiu de 16% para 20%.

O programa anterior de matemática, de 2007, foi agora substituído.

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A matemática são números, figuras geométricas, funções… Não pode ser tocada, manipulada, chega-se lá através do pensamento, um « lá » que são aos « objectos abstractos ». Para se conseguir  tem que se utilizar imagens e representações que não existem no mundo real. Será isto ou  « aprender matemática é sobretudo memorizar ? Será que é verdade que só  há uma solução correta para resolver um problema?

Existe uma  Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM),  uma Associação de Professores de Matemática e a Sociedade Portuguesa de Matemática de que Nuno Crato foi presidente antes de ser ministro. E todas com visões diferentes e, segundo alguns com conotações políticas diferentes.

Um excelente artigo de Bárbara Wong, publicado no Público de 26 de Junho de 2013, ajudou-nos a compreender as voltas que o ensino da matemática tem sofrido nos últimos anos, com orientações diferente em poucos anos, desorientando professores e alunos.

Leonor Santos da Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM) afirma no artigo: “Antes de ser ministro, Nuno Crato dizia que primeiro [os alunos] aprendem e depois compreendem. Essa é uma filosofia contrária à dos programas [de 2007], em que o objectivo é que vão aprendendo, vão-se aproximando dos conceitos matemáticos, vão trabalhando para que os compreendam e lhes dêem significado. Portanto, vão-se trabalhando os conceitos, à medida que os alunos crescem. A forma como uma criança aprende não é igual à de um adulto”.

Questiona-se se o novo programa poderá ser elitista, com uma Matemática só para alguns. É essa a opinião de João Pedro da Ponte, investigador do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa que lamenta que seja para “os que vão para as engenharias e as ciências” e não para todos, para a escola inclusiva, para esses ficam as noções de “como fazer uns trocos”.

Questionados sobre se a memorização e a compreensão serão incompatíveis, os dois investigadores dizem que não. “A memorização não tem mal, o problema é a aprendizagem ser baseada na memorização, esta é essencial, mas é importante o desenvolvimento do pensamento. [Com o novo programa] o espírito crítico é altamente desvalorizado e há uma preocupação excessiva com o rigor matemático”.

Quem tem razão? Quem fica prejudicado? Quem ganha com isto? Tomamos partido?

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