OS GATOS NAS HISTÓRIAS DE LUIS SEPÚLVEDA por Clara Castilho

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Clara Castilho traz-nos hoje um escritor chileno de grande qualidade e com um vasto público no nosso país – Luís Sepúlveda – e traz também um tema que a fascina – o dos gatos.

Imagem2Luis Sepúlveda já nos tinha brindado com um livro em que um das personagens era um gato “Historia de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”. Agora voltou com “História de Um Gato e de Um Rato Que se Tornaram Amigos “, ambos da Porto Editora.

Em entrevista ao Público (11.06), ele contou que um astrólogo chinês lhe disse um dia que, numa outra vida, o escritor tinha sido o gato de um mandarim, e que teria sido “Um gato feliz”. O autor afirmou que gostava de acreditar nisso.

Na mesma entrevista acrescentou sobre os gatos: “Tenho uma química especial com eles. Todos os gatos se aproximam de mim, nenhum se afasta.”

 Mas é sobre o primeiro livro que posso falar, o segundo ainda não o li.

 Diz ele que, quando viveu na Alemanha, ao analisar os livros que os filhos tinham de ler, se apercebeu de que os livros escritos para crianças não eram para pequenos leitores, mas para pequenos idiotas e eram manipuladores. Vai daí decidiu fazer histórias em que pudesse partilhar valores com as crianças, mas também com os outros leitores. Luis Sepúlveda considera que é muito difícil escrever para miúdos, mas que os trata com muito respeito, tentado corresponder à sua linguagem directa, com frases curtas e sem ambiguidade. E fala, ainda sobre a metáfora de voar e diz: “Voar, ter asas, não é só levantarmo-nos no ar, é caminharmos com passos próprios. Elevarmo-nos confiando apenas nas nossas próprias forças”. Sintetiza: “Simboliza a independência que temos de conquistar.”

É isso mesmo que podemos ver no final da “Historia de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”. Situemo-nos: o gato tem que cuidar da gaivota, depois de sua mãe ter morrido junto a ele e lhe ter deixado um ovo para cuidar. Diz assim:

 “Zorbas ficou na varanda, com o ovo e com a gaivota morta. Estendeu-se com muito cuidado e puxou o ovo para junto da barriga. Sentia-se Imagem1ridículo. Pensava na troça que os dois gatos malvados que tinha enfrentado de manhã fariam se o vissem. Mas uma promessa é uma promessa e, assim, aquecido pelos raios de sol, foi-se deixando adormecer com o ovo branco com pintinhas azuis muito chegado à sua barriga preta”.

E depois de muitas peripécias, que poderemos ser como metáforas de todas as dúvidas e inquietações de quaisquer pais, Zorbas fica a ver a “filha” partir. “Zorbas permaneceu ali a contemplá-la, até que não soube se foram as gotas da chuva ou as lágrimas que lhe embaciaram os olhos amarelos de gato grande, preto e gordo, de gato bom, de gato nobre, de gato do porto”. 

3 Comments

  1. Sou uma grande fã dos livros do Sepúlveda e, em particular desse que menciona porque também tenho tudo a ver com esses seres extraordinários que são os gatos.

  2. Olá Yolanda! Rápida na leitura e na resposta… Obrigada. Há 3 anos escrevi no nosso blog anterior 8 posts sobre gatos que penso gostaria de ver. Infelizmente só me pareceram 3 na pesquisa que fiz ( os gatos que nos aceitam clara castilho) e experimentei de várias formas. Tenho pena, pois gastaria de saber sua opinião.

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