DIA 14 – HANNAH ARENDT

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Hannah Arendt nasceu em 14 de Outubro de 1906  em Linden (Hanôver) e morreu  em 4 de Dezembro de 1975 em Nova Iorque. De família hebraica, estudou Filosofia e Teologia em Königsberg (actual Kalinigrado) e trabalhou com Martin Heidegger na Universidade de Marburgo, mantendo ambos uma relação que não terá sido só intelectual. Foi depois para Heidelberga, doutorando-se na respectiva universidade, em 1929, com uma tese, acompanhada por Karl Jaspers – «A experiência do amor na obra de Santo Agostinho». Em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, dada a sua condição de judia, foi proibida de publicar as suas obras e de ensinar. Por outro lado, o seu envolvimento com os movimentos sionistas, obrigaram-na a fugir das garras da Gestapo. Com seu marido, Heinrich Blütcher, foi presa em França. Fugindo e escondendo-se por diversos países da Europa, chegaria em 1941 aos Estados Unidos onde ensinou e escreveu.Imagem1

Em 1951 publicou «Origens do Totalitarismo» que, quase seis décadas depois, surgiu, finalmente, traduzido em hebraico. De uma forma que à época era extremamente polémica, Arendt comparou o estalinismo com o nazismo, considerando que o totalitarismo se instala explorando a «solidão organizada» das massas. Publicaria em 1963 «Eichmann em Jerusalém» onde, contrariando as teses oficiais de que Eichmann era um monstro, demonstrou que ele era um ser normalíssimo, um burocrata que foi cumprindo ordens com um grande zelo. As organizações judaicas considera-la-iam traidora, tanto mais que no seu livro aludia a cumplicidade de alguns judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt afinal apenas alertava para a necessidade de manter uma permanente vigilância para garantir a defesa da liberdade. Regressou à Alemanha, onde contactou o antigo professor Martin Heidegger, que, devido às suas concessões ao regime nazi, se encontrava afastado do ensino. Envolveu-se na reabilitação de Heidegger, o que contribuiu para que as associações judaicas a atacassem de novo. Da correspondência de Arendt com Heidegger saiu um notável livro de correspondência entre os dois – “Lettres et autres documents(1925-1975)”, Editions Gallimard, Paris.

Coube-lhe viver os horrores do nazismo. Mas sem maniqueísmos que seriam compreensíveis perante a natureza criminosa do regime de Hitler, teve a lucidez de preservar o respeito pela língua e pela cultura alemã. Soube explicar como o mal se banaliza e o que é horrível se torna trivial. No plano político, Arendt defendeu o pluralismo como valor maior. A prática do pluralismo, segundo ela, tornarão a igualdade política e a liberdade de expressão em algo de tão trivial como respirar. Em acordos políticos, convénios e leis, devem trabalhar em níveis práticos pessoas adequadas e dispostas. Como frutos desses pensamentos, situava-se de forma crítica ante a democracia representativa, preferindo um sistema de conselhos ou formas de democracia directa. Enfim, muito do que aqui uma boa parte dos argonautas defende, Arendt preconizou nas suas obras.

Nos próximos dias, sempre neste horário das 14 horas, daremos mais informações sobre esta edição especial de 14 de Outubro. Para já, dizemos apenas que o leme da Argos passará nesse dia para as mãos da argonauta Clara Castilho e que um dos indicativos gráficos da iniciativa, obra de Dorindo Carvalho, é este que acima se apresenta.

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