Hoje, dia Mundial de Erradicação da Pobreza vou abordar o problema das crianças que dela são vítimas. Comecemos por alguns mitos muito defendidos:
Existe pobreza infantil porque os pais são irresponsáveis ;
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A família é que é a culpada por serem pobres ;
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Se têm telemóveis modernos e várias televisão, então não são pobres;
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A maior parte dos pais pobres são.no porque são preguiçosos e não querem trabalhar;
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Depender dos rendimentos sociais tornou-se um estilo de vida num sistema demasiado generoso;
Prevenir e combater a pobreza infantil é demasiado caro,em momentos de crise, depois de verá o que fazer.
Surgiram recentemente notícias de que o relatório do comité português da UNICEF sobre os direitos das crianças portuguesas, dirigido à Organização das Nações Unidas (ONU), depois de investigação de campo, apontava situações dramáticas em Portugal. Em causa que mais de 500 mil adolescentes e crianças portuguesas perderam o direito ao abono de família entre 2009 e 2012 e que muitas não têm acesso “aos mínimos” na alimentação, na saúde e na educação. Questiona este comité sa UNICEF se a política de austeridade do Governo português em relação às crianças pode violar a convenções internacionais assinadas pelo Estado, sobre o acesso dos mais jovens à saúde, à educação e à protecção social.
A pobreza não se limita à falta de dinheiro. É também não ter uma habitação decente, não ter acesso a um ensino de qualidade, nem a cuidados de saúde decentes, não ter as mesmas oportunidades que todas as crianças, não poder participar na sociedade no mesmo pé de igualdade. Alguns dados quanto à taxa de risco de pobreza : crianças que crescem só com um dos pais (em geral a mãe): 42%; crianças que vivem num agregado com dois adultos e 3 crianças – 26,5%; o mesmo mas com só duas crianças – 14,55%.
E que impacto tem a pobreza sobre as crianças, a família e a sociedade ?
Aumentam os problemas de saúde física e mental; limita e enfraquece as possibilidades de desenvolvimento emocional, social e intelectual da criança; potencia os “handicaps” educativos e abandono escolar; isola as crianças dos seus pares; estigmatiza-a e submete-a a uma pressão constante; reduz as perspectivas profissionais e a esperança; leva a criança a perder a motivação e o sonho de uma vida melhor.
Logo, é a sociedade que pagará a longo termo o preço da decisão de não investir hoje, na luta e na prevenção da pobreza infantil.
Logo, diminuir a pobreza infantil é uma questão de escolhas políticas.

