RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A Grã-Bretanha, ou austeridade a crédito

Laurent Pinsolle – Blog Le Gaulliste Libre – 15 de Julho de 2003

Obrigado a Philippe Murer, do Forum Démocratique, presidente da Associação Manifeste pour un Débat sur le Libre échange

Londres conduz uma política original desde 2008. Depois de deixar disparar os défices e de se ter apoiado sobre a política monetária ultra-acomodatícia do Banco Central, os conservadores, no poder desde 2010 , praticam uma política assenta na forte austeridade, de efeitos muito mitigados segundo a opinião do muito conceituado semanário The Economist.

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Copo meio vazio ou meio cheio

A situação do outro lado do canal é bastante complexa. Como pontos positivos, enquanto a zona euro provavelmente terá vivido o seu 7º trimestre consecutivo em recessão e, após uma segunda recessão, a actividade económica recuperou modestamente no primeiro trimestre (1,2% ao ritmo anual ) e os principais indicadores levam a que se tenha então algum optimismo. Além disso, as empresas privadas conseguiram criar nada menos que 1,6 milhões de empregos desde meados de 2009, o que permite ao país mostrar um número total de postos de trabalho superior em 500.000 ao valor máximo alcançado no pico de antes da crise, uma situação que a grande maioria dos países europeus pode invejar.

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No entanto, a situação não é tão cor-de-rosa como o pode parecer, conforme relata a revista The Economist. De facto, o PIB permanece quase 4% mais baixo que o seu nível do início de 2009, uma das piores performances dos principais países desenvolvidos. O país acumulou a crise mais violenta desde a segunda guerra mundial e a recuperação económica mais lenta. Ao ritmo actual, o PIB per capita vai voltar a alcançar o seu nível de antes da crise em 2020! Pior ainda, apesar da depreciação de 25% da Libra, desde 2007, o país não está a exportar mais e o seu défice comercial é mantido a um nível muito elevado.

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Na verdade, o investimento das empresas caiu cerca de 34% desde 2008 em termos reais e o do Estado cerca de 13%. Em suma, o crescimento económico é devido ao crescimento no consumo, seja do Estado (+ 6%) ou das famílias. Na verdade, depois destas se terem desendividado desde há alguns meses que estão, de novo, a endividarem-se pois que a taxa de poupança caiu de 7 para 4% desde 2012, compensando por aí a baixa de 9% dos rendimentos. Se o consumo das famílias tivesse evoluído ao mesmo ritmo que os seus rendimentos, então o PIB teria diminuído por 1,7% no primeiro trimestre de 2013…

Um cocktail explosivo de política económica

O que é aqui interessante com a Grã-Bretanha é que, na ausência de uma política monetária autónoma (se o país tivesse aderido ao euro), então a sua situação do país teria sido provavelmente comparável à Grécia, dado que os seus défices são bem mais elevados.

Na verdade, Londres foi capaz de continuar a contrair empréstimos a taxas muito baixas (geralmente comparáveis às da França), porque o seu Banco Central tem monetarizado a bagatela de 375 mil milhões de libras desde o início da crise (o equivalente de 460 mil milhões de euros). Além disso, isto permitiu baixar o valor libra e com isso apoiar as exportações.

Se o país apesar disso não exporta mais isso é assim por duas razões. A primeira é a grave crise europeia, que priva o país de mercados pois a procura global dos mercados da zona euro diminuiu e a zona euro é o seu principal mercado. A segunda é a livre troca onde, excepto em alguns nichos, as empresas britânicas não podem vencer com um custo de trabalho de 5 a 10 vezes mais elevado do que o que pode ser encontrado no leste da Europa ou na Ásia. Resultado, a produção industrial diminuiu de 11% em cinco anos, apesar da baixa do valor da libra . Mensagem a reter por aqueles que pensam que um euro mais barato seria o suficiente.

Além disso, o governo conduz uma política orçamental muito austera , uma forma de se diferenciar-se dos Trabalhistas agora sentidos como sendo demasiado laxistas. Georges Osbourne anunciou um novo plano económico para defender os objectivos que pretende apesar do menor crescimento. Em suma, o Estado corta nos seus investimentos o que faz temer pelo futuro. Em suma, a política monetária muito laxista, a quantitative easing, tem ajudado a economia a não entrar em colapso, mas se o pouco crescimento que tem havido até agora se tem feito a crédito e sem investimento, o mesmo é então dizer que ele não será de forma nenhuma um crescimento sustentável.

Se o Banco Central tem desempenhado o seu papel evitando uma verdadeira depressão económica, tudo isso mostra que o modelo económico escolhido por Londres não é um modelo sustentável. O cocktail de austeridade e de política da oferta não podem fazer arrancar um país dito desenvolvido e que é uma economia muito aberta a todos os ventos da globalização.

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