Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A Irlanda diz adeus à Troika a 15 de Dezembro
Um texto enviado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique e Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre
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latribune.fr | 13/10/2013, 11:01 – 452 palavras
O primeiro-ministro irlandês confirmou que a Irlanda sairia do programa de ajuda europeia e do FMI dentro de dois meses.
Em dois meses a Irlanda ganhou a sua aposta. De acordo com o primeiro-ministro Enda Kenny, “a urgência económica será terminada em meados de dezembro”, data à qual o país deveria sair do plano de ajuda europeia de 85 mil milhões de euros concedidos pelos europeus e pelo FMI em 2010.
Restabelecer a soberania do país
Face aos representantes do seu partido de centro-direita, o Fine Gael, Enda Kenny reconheceu que ” há ainda muito a fazer.” Mas, pelo menos, afirmou ele, “o período de dependência ao plano de auxílio será coisa do passado.” E felicitou-se de ser o primeiro Taoiseach, nome do chefe do Governo irlandês, “que irá restaurar a soberania e a independência econômica” do país.
Um exemplo irlandês?
A Irlanda é muitas vezes apresentada como o exemplo de ‘sucesso’ da estratégia europeia de desvalorização interna posto em prática pelos europeus para responder ao problema da crise da dívida. Na verdade, os dois governos que se sucederam conduziram a uma severa austeridade de austeridade com a finalidade de comprimir os salários e aumentar e de aumentar competitividade do país.
Uma estratégia que permitiu relançar rapidamente as exportações e de reencontrar o crescimento e gerar um forte excedente na balança corrente. O défice público irlandês, que foi de cerca de 14% do PIB em 2011, deve ficar na vizinhança dos 4,6% do PIB.
Um país industrializado
Este sucesso é explicado por duas razões principais. Por um lado, a Irlanda era um país altamente industrializado e exportador já antes da crise. A melhoria da competitividade rapidamente resultou em melhoria das exportações e do seu crescimento económico, o que não tem sido o caso das economias menos industrializadas ou de maiores dimensões , como é o caso da a Itália ou da Grécia.
Um problema bancário rapidamente resolvido
Por outro lado, a Irlanda foi atirada para uma situação de grave crise pelos seus bancos. No entanto, Dublin desembaraçou-se rapidamente desta carga através de um crédito sobre o BCE, desde 2010 para nacionalizar os seus principais bancos. Esta dívida para com o BCE tenha sido muito generosamente modificada pela instituição de Frankfurt, daí tirando um peso enorme ao orçamento do país.
Traduzir este sucesso na vida quotidiana dos irlandeses
A tarefa do governo de Enda Kenny está agora em que estes sucessos se traduzam na pratica dos irlandeses e na sua vida do dia-a-dia, sucessos estes registados de acordo com os critérios da Troika. O desemprego está ainda em cerca de 14% e a procura interna continua a ser muito baixa. O orçamento a ser apresentado esta semana prevê uma redução dos “esforços” sob a forma de diminuição das despesas públicas e aumentos de impostos de 2,5 a 3 mil milhões de euros.
Entusiasmo geral?
No entanto, o entusiasmo está longe de ser geral na Irlanda. “Ousem então dizer às famílias que estão em risco de perderem as suas casas do que a austeridade, funciona!», desafiou o líder do Sinn Fein, o partido da oposição de esquerda, Gerry Adams. ” Tenham então a coragem de dizer isso igualmente aos 415.000 ou 300.000 pessoas desempregadas que emigraram nestes últimos quatro anos!”, reafirmou ele.


