FALEMOS DA POLÍTICA ECONÓMICA ACTUAL, FALEMOS ENTÃO DE PUTAS – por JÚLIO MARQUES MOTA

Falemos da política económica actual, falemos então de putas.

(CONTINUAÇÃO)

Parte VI

E já agora que falamos da Alemanha, um amigo meu escreve-me da Alemanha dizendo-me que “o modelo alemão não produz somente excedentes comerciais excessivos à custa dos outros mas TAMBÉM produz a pobreza. Segundo os dados de Destatis (equivalente ao nosso INE[1]) a taxa de pessoas a viverem abaixo da linha de pobreza aumentou de 15,8 em 2010 para 16,1% em 2011 e são agora 13 milhões de pessoas!” Mais precisamente diz-nos Destatis:

“Quase uma em cada seis pessoas estava em risco de pobreza na Alemanha em 2011 – ou seja 16,1% da população ou cerca de 13 milhões de pessoas. O Instituto de Estatísticas (Destatis) também informa que esta taxa subiu um pouco relativamente a 2010 (15,8%). Esta é uma conclusão central das EU-SILC (LEBEN IN EUROPA), as estatísticas comunitárias sobre o rendimento e as condições de vida de 2012.

Falemos... - IX

Como em anos anteriores, as mulheres estão em maior risco de pobreza em 2011 do que os homens. Isso vale para todas as faixas etárias, sem qualquer excepção. Por exemplo, a taxa de risco de pobreza para a população feminina dos menores de 18 anos foi de 15,7%. Mesmo que este valor seja mais baixo que a média determinada para a Alemanha como um todo é, no entanto, superior à taxa calculada para a população masculina de mesma faixa etária (14,8%). “

Ainda para a Alemanha vejamos a evolução do risco de pobreza:

  1. Risco de pobreza-População total

Falemos... - XFalemos... - XI

          2. Risco de pobreza –População empregada

Falemos... - XII

Graficamente temos:

Falemos... - XIII

Os números são claros. A Alemanha produz excedentes, a Alemanha produz pobreza e como esta está muitas vezes associada à prostituição, não estaremos errados ao afirmar que o modelo alemão produz também prostituição.

E é isto que se passa no país que é o maior senão o único beneficiário com a crise em que se alimenta igualmente um crescendo na desigualdade social que em muitos casos está ela na matriz da prostituição que tanto se condena verbalmente..

Em suma, tudo isto nos mostra que o descaramento aqui é total e a ausência de crítica ao modelo que nos tem levado a todos para as políticas de austeridade e para a mais terrível crise desde os anos 30 do século passado, é pois absoluta. Isto sim, é uma verdadeira prostituição política, porque se está a vender um país em nome de ninguém sabe o quê. O manifesto fala em 343 “salauds” ou 343 “salopes” mas quem são, afinal, os verdadeiros “salauds” e “salopes”? Não serão antes os defensores dos actuais políticas assim como aqueles que as praticam, em Portugal, França, Espanha, Itália, Grécia, Chipre, Eslovénia, Letónia, Holanda, Irlanda? É afinal tudo uma questão de putas, seja dito no masculino seja dito no feminino, uma vez que a língua portuguesa é traiçoeira nesta matéria.

(continua)

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[1] Publicados a 28 de Outubro de 2013.

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Para ler a parte V deste trabalho de Júlio Marques Mota, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/11/15/falemos-da-politica-economica-actual-falemos-entao-de-putas-por-julio-marques-mota-5/

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