Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
Depois da nossa peça sobre Falemos de política económica actual, falemos então de putas, recebemos no dia 15 de Novembro um artigo enviado por Philippe Murer, do Forum démocratique, artigo este directamente relacionado com um dos pontos abordados na referida peça, os dinamismos na Alemanha. Dinamismo nas exportações, dinamismo no ampliar da pobreza, igualmente. E o título dá a entender que o seu artigo terá sido incentivado pela mesma peça de Peter Whal em que este economista nos enviou os dados alemães, mas para quem sabia alemão, o que não é, de todo, o nosso caso.
Coimbra, 16 de Novembro de 2013
Júlio Marques Mota
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Alemanha: um recorde de exportações e de … pobreza
THOMAS SCHNEE
Texto enviado por Philippe Murer, do Forum démocratique e da Association Manifeste pour un Débat sur le Libre Échange
Não nos devemos esquecer que se a Alemanha acaba de registar um novo recorde histórico no valor das suas exportações, não é menos verdade que o nível de pobreza além Reno, vai também de crescendo em crescendo.
Angela Merkel, chanceler alemã – Markus Schreiber/AP/SIPA
A balança comercial alemã teve um excedente de 20,4 mil milhões de euros em Setembro de 2013. O anterior recorde, estabelecido em Junho de 2008 era de 19,4 mil milhões de euros. Estes resultados não vão deixar de relançar o debate sobre a estratégia da Alemanha a quem não se pode culpar pela sua velha e lucrativa especialização em bens de equipamento industrial de alta qualidade e de topo de gama mas que continua a defender o seu importante sector de emprego a baixos salários e que muito pouco investiu nas suas infra-estruturas nos últimos anos.
Esta situação ainda pesa sobre as importações e o consumo interno . No mês de Setembro de 2013, comparando com o mês de Agosto do mesmo ano, as exportações aumentaram de 1,7%, enquanto as importações diminuíram de 1,9%. Quanto ao consumo interno este está a progredir muito lentamente.
Uma comparação interessante, embora já um pouco antiga , mostra que em 2009 as despesas dos alemães tinham aumentado em 13% em relação a 1995, contra uma variação de 37% para os franceses, de 45% para os britânicos e de 47% para os espanhóis. Os EUA e a Comissão Europeia acabam, aliás, de criticar fortemente a Alemanha para esta política que, segundo eles, continua a acentuar os desequilíbrios na zona euro.
RECORDE DE POBREZA E DE SOBRE ENDIVIDAMENTO
Para os alemães, tudo isso conduziu para um aprofundamento da fractura social. O organismo federal de estatísticas publicou recentemente os últimos dados disponíveis sobre a pobreza. Em 2011, 1 alemão em cada 6 ou 13 milhões de pessoas, vivem abaixo do limite de pobreza (rendimento inferior a 60% do rendimento mediano nacional, ou cerca de 980 euros brutos por mês por pessoa ). A proporção, portanto, passou assim de 15,8% da população em 2010 para 16,1 por cento em 2011.
Chancelaria alemã, Verão de 2013: a campanha « Tax against poverty » exige que os dirigentes europeus se confrontem com a pobreza crescente na Europa © Markus Schreiber/AP/SIPA
Além disso, o principal grupo alemão de empresas de cobrança de dívidas na Alemanha Creditreform, que publica regularmente estatísticas sobre o endividamento dos alemães, no seu Atlas do endividamento de 2013, precisa que 9,81% dos adultos alemães está endividado, o que representa 6,58 milhões ( contra 6,59 milhões em 2012).
Ver mais em:
http://www.marianne.net/Allemagne-record-d-exportations-et-de-pauvrete_a233631.html


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