A FALSA RETOMA DA ECONOMIA NA EUROPA E O DESEMPREGO JOVEM, de JOHN WEEKS

europe_pol_1993
 PARTE II

John Weeks

Social Europe Journal

http://www.social-europe.eu/2013/12/youth-unemployment-faux-recovery/

(conclusão)

O desemprego jovem dá-nos uma boa indicação de como os efeitos da crise do euro foram desastrosos e trágicos. De modo implícito os dois gráficos abaixo representam a história de como o potencial produtivo do futuro destes países está em fase aguda de deterioração inexorável. Sem trabalho, jovens e formados, eles estão gradualmente a perder as suas capacidades, a sua formação. Incapazes de entrar em programas de formação, dados os cortes de despesas públicas, eles não podem obter as competências de que se precisa para vir a sustentar a recuperação quando esta venha a ocorrer. Fora do trabalho e fora da escola, os jovens destes países enfrentam vidas de um tempo livre mergulhadas num profundo desespero em que a criminalidade começa a acenar-lhes como uma via (falsa) de saída da miséria.

Mas não na Alemanha, onde a taxa de desemprego nos jovens está em menos de dez por cento. Noutras condições variam de sinistra a desastrosa, com a taxa de desemprego nos jovens acima ou perto de trinta por cento para os últimos dos trimestres considerados : França (26 por cento), Irlanda (27), Portugal (37), Itália (40) e Grécia (57). Para todos, mas excepto para os verdadeiros discípulos da doutrina de austeridade, estes dados desafiam a crença de que, no século XXI, os dirigentes da zona euro poderiam dormir à noite descansadamente com bem mais de metade dos jovens num país membro a permanecer inactiva e sem perspectivas.

Na flor da sua juventude, Part 1: as taxas de desemprego jovem para os jovens com menos de 25 anos, Alemanha, França, Itália e Espanha, taxas trimestrais anualizadas, do segundo trimestre de 2011 ao terceiro trimestre de 2013.

john weeks - II

Na flor da sua juventude, Part 2: a taxa de desemprego dos jovens para jovens com 25 anos ou menos na Grécia, Irlanda, e Portugal, em taxas trimestrais anualizadas. Para os mesmos períodos anteriormente considerados.

john weeks - III

E, como de costume, os burocratas sem rosto na Comissão Europeia estabelecem os seus salários, desfrutam das suas regalias e não fazem nada, não é assim? Na verdade, não, como se descobre por aqueles que assistiram a uma palestra recente dada por Laszlo Andor, Comissário Europeu para o emprego, assuntos sociais e inclusão (na Universidade de Greenwich em Londres, 28 de Novembro). Em resposta às terríveis condições indicadas pelos gráficos acima, a União Europeia em Abril deste ano criou o programa de garantia à juventude, o Youth Guarantee Scheme . O programa diz-nos que a União Europeia está empenhada em garantir:

“que todos os jovens com 25 anos de idade ou com menos menos de 25 anos – registados ou não nos serviços de emprego– adquiram uma oferta de trabalho de boa qualidade, uma oferta concreta no espaço de 4 meses depois de ter deixado a educação formal ou depois de ficarem desempregados”

 Uma oferta de boa qualidade

“deve estar destinada para um emprego, estágio de formação , estágio profissional ou para uma educação continuada e ser adaptada a cada necessidade individual e a cada situação (sublinhado no original).”

O orçamento da UE aloca fundos para este esquema e a sua implementação requer que os governos dos países membros criem esquemas nacionais,. Os números de custo-benefício são surpreendentes, com um custo total de 21 mil milhões de euros por ano, em comparação com a perda de ganhos pessoais, benefícios e impostos de 153 mil milhões. O governo ultra prudente da Finlândia foi o primeiro a ter já implementado o programa.

Certamente, nenhum governo iria deixar de aproveitar um tal programa, financeiramente sólido e potencialmente eficaz, para criar trabalho, formação e esperança para a sua juventude. Mas, um deles, o governo de coligação no Reino Unido é excepção. Tão forte é a ideologia contra a União Europeia no partido conservador, que a última coisa que estes trogloditas da Pequena Inglaterra querem é mostrar uma prova concreta de que a União Europeia pode servir o bem-estar geral. E os jovens na Grã-Bretanha são os perdedores.

John Weeks,  The Faux European Recovery And Youth Unemployment, Social Europe Journal, 3 de Dezembro de 2013.

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O meu comentário  a este texto colocando, em mau inglês, no site do autor:

Parece que Weeks está  a acreditar no programa destinado à juventude quando nos diz …..mas isto não será mais do que um  paliativo para entreter os jovens e admitir que não se afundem tanto na depressão. Válido mas apenas deste ponto de vista. Ao países em dificuldades têm cada vez menos  Estado, logo, menos meios para realizar estes programas e menos dinheiro para os acompanhar.

Adicionalmente, sem outras mudanças na União Europeia, mudanças dos seus projectos de futuro, da sua  governação, da sua política comercial, industrial e agrícola assim como da sua política cambial ( tem até agora a que os fazem)  quando se acabar  o tempo de formação, o que espera  esses jovens é mais do mesmo, é mais desemprego.

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Para ler a Parte I deste trabalho de John Weeks, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/12/05/a-falsa-retoma-da-economia-na-europa-e-o-desemprego-de-john-weeks/

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