BARROSO DEVE PEDIR DESCULPAS PUBLICAMENTE OU DEMITIR-SE! – de LAURENT PINSOLLE

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

Introdução

Na Europa, impera uma mania terrível ao nível político: meter a cabeça na areia como a avestruz. Vemos isso nas mais diversas situações, e a partir dos mais diferentes ângulos. Inimaginável. São as declarações de Lagarde no Conselho Económico e Social em Bruxelas, onde de forma polida pede mais política, da mesma que tem sido seguida, enquanto embrulha o discurso num texto elegante que transpira a “seriedade” por todos os poros mas nada, é só ilusão. O Público por exemplo refere apenas declarações em que ela diz, supostamente o contrário quando afirma que o FMI não se coíbe de assumir os seus erros como é o caso com Portugal e com a Grécia. Cinismo do mais puro. É só confrontar o discurso escrito, “depositado” no FMI com o sentido das declarações relatadas pelo Público e perceber. São as declarações de Mário Draghi, opostas às declarações do mais hediondo Pinóquio que conheço, Passos Coelho. É o texto fabuloso de Jan intVeld sobre as políticas de consolidação orçamental na zona euro em que nos mostra que no quadro do modelo de referência utilizado na Comissão Europeia e na hipótese heróica de a consolidação terminar neste ano terrível de 2013, o PIB em Portugal só atingirá o valor de 2010 mas em 2018 e esse texto passa em silêncio absoluto até pelos partidos da oposição! E podíamos continuar até quase ao infinito.

Mas hoje de avestruzes, damos-vos um grande exemplar, François Hollande, e um exemplo do que ele faz, ele que é possivelmente a avestruz-mor desta história toda face aos assaltantes da Democracia que estão já a ocupar Bruxelas.

Júlio Marques Mota

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Barroso deve publicamente pedir desculpas ou demitir-se!

Laurent Pinsolle

O Presidente da Comissão tal como é referido num jornal americano qualificou a posição da França como sendo “reaccionária” por querer excluir o audiovisual das negociações entre os Estados Unidos e a UE. Um gesto extremamente grave, ao qual François Hollande não mostrou a reacção que seria apropriada.

Excepção cultural

Uma declaração de guerra em solo inimigo

Mas por quem caminha José Manuel Barroso? Enquanto o Presidente da Comissão faz tudo o que é possível para lançar as negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos, ei-lo que se permite criticar, num jornal dos Estados Unidos, o International Herald Tribune, a posição tomada pelos ministros europeus do comércio na sexta-feira, sob pressão da França, mas com o apoio de metade dos Estados-Membros e do Parlamento Europeu em Estrasburgo.

É mais do que paradoxal que aquele que deve liderar as negociações em nome da União Europeia tome tão abertamente o partido do estrangeiro contra aqueles que é suposto representar. José Manuel Barroso declarou que “a posição da França faz parte desse programa anti-globalização que considero totalmente reaccionário”, acrescentando que “alguns dizem ser de esquerda mas eles são de facto extremamente reaccionários ‘, para quem ainda não o tenha compreendido bem.

Em suma, chegamos à situação completamente grotesca onde o chefe negociador Europeu, que deve defender os nossos interesses, considera que a nossa posição é considerada demasiado firme e que nós não colocamos suficiente temas sobre a mesa para negociar com os Estados Unidos. Enquanto que ele deveria ser precisamente o mais firme e aplicar o mandato que lhe deram os 27, ele que se permite vir dizer-nos que devíamos baixar os nossos mecanismos de defesa, deixar passar os tanques de Hollywood e renunciar à nossa identidade!

François Hollande faz de avestruz

Claro, a classe política reagiu fortemente contra as palavras do funcionário em Bruxelas. Aurélie Fillipetti considerou-as “absolutamente chocantes”. No entanto, ainda estamos a aguardar uma verdadeira reacção do Chefe de Estado, que até aqui se saldou por uma pirueta fortemente consternadora, afirmando: “não quero acreditar que o Presidente da Comissão Europeia tenha sido capaz de fazer comentários sobre a França formulados dessa forma, nem mesmo sobre os artistas que se teriam exprimido, uma vez que as suas declarações suscitaram como dizer, uma certa comoção, uma certa surpresa”

O Chefe de Estado a deixar-se insultar pelo Presidente da Comissão que vai negociar um acordo comercial com os Estados Unidos em nosso nome e não reage! Com François Hollande, a cabeça na areia e o servilismo em acção, estamos agora, perante o contrário da coragem! Ao proceder desta forma, deixa Barroso insultar o povo francês e sem sequer reagir. Mesmo se ele cede na substância poderia pelo menos preservar a forma e não deixar a sua honra, a nossa honra, tão por baixo.

Quando pensamos na preocupação sempre constante que tinha o General de Gaulle em querer preservar a honra da França e no facto de que ele não deixava passar qualquer crítica ou questionamento do nosso país, ficamos sobretudo pensativos face à inconsistência, à moleza e à cobardia deste nosso Presidente que se deixou insultar publicamente por uma eurocrata e que nem sequer é capaz de reagir. Mesmo o jornal Le Monde se comoveu fortemente num editorial em que o acusava pela sua falta de respeito e de lealdade. Pela primeira vez, eu lamento Nicolas Sarkozy, que não é pouco dizer pouco vindo da minha parte.

Não existem 36 resultados possíveis para esta provocação: seja, ou ele pede desculpas publicamente, ou a França deve exigir a sua demissão . Seria inaceitável que Paris deixasse negociar em nosso nome um indivíduo que se permite criticar o mandato que lhe é dado nas páginas de um jornal americano. Mr Hollande, a França está a sua espera.

Laurent Pinsolle, Barroso doit s’excuser publiquement ou démissionner! texto disponível no seu blog blog cujo endereço é:

http://www.gaullistelibre.com/2013/06/barroso-doit-sexcuser-publiquement-ou.html

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