FALEMOS DE ECONOMIA, FALEMOS ENTÃO DE POLÍTICA – CONSOLIDAÇÕES ORÇAMENTAIS E EFEITOS DE REPERCUSSÃO NA ZONA EURO, NOS PAÍSES DO NÚCLEO CENTRAL E NOS PAÍSES DITOS PERIFÉRICOS, por JAN INT’T VELD

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

PARTE III
(CONTINUAÇÃO)

2.2 Efeitos de repercussão entre os Estados membros

A tabela 2 mostra os efeitos sobre o PIB dos três anos similares   de  sucessivas consolidações para outros países no modelo. Em todos os casos os défices orçamentais  são reduzidos em 3% do PIB permanentemente, mas cada país está a agir sozinho (detalhadas tabelas são fornecidas no anexo 3). Em todos os casos assume-se  que a composição é igualmente equilibrada entre medidas pela  despesas e pela receita.

Os multiplicadores variam em torno de 0.5 (IE) e em torno de 0,9 (EL, la) e dependem principalmente do grau de abertura. O multiplicador de impacto médio no primeiro ano situa-se  em torno de 0,7-0,8.  No segundo ano o PIB cai mais tanto mais que  são introduzidas as medidas adicionais de consolidação. Nos primeiros anos, todos os componentes da procura interna são afectados negativamente pela consolidação com  uma evidente queda no consumo privado e no  investimento (ver anexo 3). O impacto deflacionário dos choques conduz a uma melhoria de competitividade, o que ajuda a aumentar as exportações se um país está a actuar  sozinho e com a procura em bens importados em declínio a balança  corrente melhora, à volta de  1% do PIB após 3 anos e 1,6% do PIB no caso da Irlanda. Contudo, no quadro de uma forte confiança no quarto ano os efeitos conduzem a uma recuperação rápida no PIB  enquanto os agentes de então antecipam de modo permanente mais baixos défices públicos, redução do endividamento público  bem como a redução nas taxas de juros futuras. Assim,   como a redução nas taxas de juros e o facto de que a apreciação inicial se transforma  numa depreciação tudo isto leva a uma recuperação na actividade económica nos seus  parceiros comerciais e o PIB retoma o valor de referência.

veld - VII veld - VIII

Quanto  maior e mais aberto for o país que sofre o «choque original», tanto maiores serão as repercussões para os outros Estados-Membros. Se os efeitos de repercussão forem medidos  pela relação entre o efeito sobre o  PIB estrangeiro e o efeito sobre o  PIB do país que sofre o choque,  esta proporção é maior para a Alemanha, aumentando de 0,15, no primeiro ano  até  0,25, depois de três anos. É um pouco menor para o resto do bloco central da zona euro,  França, Itália e Espanha, e  bem menores para Portugal, Irlanda e Grécia.

Tabela 3 dá a síntese dos efeitos  de repercussão após 3 anos.

veld - IX (continua)

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Para ler a Parte II deste trabalho de Jan int’t Veld, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/12/29/falemos-de-economia-falemos-entao-de-politica-consolidacoes-orcamentais-e-efeitos-de-repercussao-na-zona-euro-nos-paises-do-nucleo-central-e-nos-paises-ditos-perifericos-por-jan-int/

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