RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Saltam as rolhas do caro champagne em Lisboa porque a crise acabou, disparam-se os primeiros tiros de bazuca a partir dos mercados financeiros porque a crise se intensificou

Júlio Marques Mota

PARTE VII
(CONTINUAÇÃO)

Mas continua o texto americano: pelo lado dos bancos:

–  43 % dos activos dos bancos portugueses estão sob a forma de contas, que seriam imune a uma PSI;

–  Supondo que um corte de 50% na dívida para o principal dos títulos portugueses, isso geraria uma perda após impostos de €5,1 mil milhões, mas os bancos já reservado para cobertura de prejuízos um valor de €3,7 mil milhões como parte do teste de resistência de EBA, deixando um valor incremental para capital de apenas €1,4 mil milhões ou seja de somente 0.4% de activos da Banca Portuguesa;

Quanto aos medos de que os problemas dos bancos de um país se espalhem rapidamente por toda a Europa, relaxem e pensem no caso do Chipre:

–   Não há risco de contágio pelo canal bancário;

–   Os bancos europeus não portugueses reduziram a sua carteira de activos em títulos da dívida pública portuguesa nos últimos três anos para menos de 10 mil milhões;

–   As operações OMTs protegem contra o risco de contágio;

–   O programa das OMT foi projectado para, e tem tido sucesso, prevenir o risco de contágio, como se prova desde o corte decido sobre os valores dos depósitos em Chipre, que não tinha nenhum risco de contaminação perceptível sobre os países europeus periféricos ou sobre os bancos.

Na parte final do relatório, Tortus Capital analisa o que considera algumas concepções erradas sobre a situação de Portugal e sobre as suas possibilidades de sair da crise

Algumas concepções erradas sobre a situação:

Concepção errada nº 1: O crescimento económico português já passou o pior momento

O crescimento económico português já ultrapassou a crise

• Os políticos portugueses reivindicaram a vitória depois do segundo trimestre de 2013, indicando que o crescimento económico tinha sido restaurado;

Sem dúvida, houve 1,1% do crescimento real do PIB é um impressionante resultado. Será?

• O crescimento no terceiro trimestre de 2013 estima-se que será de 0.2% mas os seus detalhes não foram ainda publicados.

Figura XX – Taxa de crescimento

bazuca - XXIV

Mas o crescimento é devido a itens excepcionais.

• O Tribunal Constitucional Português ordenará a reposição das verbas obtidas com dados cortes nas despesas, principalmente o restabelecimento dos salários dos “bónus” do 13º e 14º mês o que representa de 1.3 mil milhões de euros por ano;

• O impacto do calendário da Páscoa e o aumento de outros itens excepcionais que foram os investimentos feitos para a abertura da uma nova unidade de refinação na refinaria de petróleo da Galp em Sines;

• Quando se fazem os ajustamentos face a estes itens excepcionais, acreditamos que o crescimento teria sido negativo ao longo de todo o ano.

            Concepção errada nº 2: As exportações podem salvar Portugal

 A contribuição líquida das exportações para o PIB tornou-se positiva

• A balança comercial de Portugal tem melhorado fortemente durante os últimos dois anos

Contudo, as empresas portuguesas têm estado largamente a substituir a procura interna que diminuiu pela procura externa, a aumentar.

Figura XXI – Balança comercial – Portugal, zona euro

bazuca - XXV

Mas é improvável que o ajustamento seja no melhor das hipóteses permanente

• Portugal tem tido uma melhoria mas MINIMA na sua taxa de câmbio real (REER) face aos seus 21 principais parceiros comerciais, especialmente no sector privado.

• Os ganhos com a exportação seriam mais significativos se REER tivesse sido o elemento de dinamização desses mesmos ganhos.

Podemos ir um pouco mais longe que o texto americano. Vê-se   que a taxa de câmbio real do euro (português) tem permanecido estável, ou seja que por aí não se terá alterado a posição de Portugal  em termos de competitividade face ao exterior. Daí a pergunta: então para que servem as politicas de desvalorização interna? Mais ainda, então a melhoria da nossa posição externa deve-se fundamentalmente, pelo lado das importações, aos cortes brutais na despesa, enquanto que pelo aldo das exportações deve-se apenas a factores que nos são relativamente exógenos, pelo menos em termos de competitividade. Dir-me-ão que o raciocínio não está correcto uma fez que para efeitos de competitividade se costuma utilizar a taxa de câmbio real em que os seus deflatores são os salários. Mas se tivermos em conta que os principais parceiros de Portugal são os países europeus e que em quase todos eles os salários estão perder peso, ficamos assim a poder admitir que a diferença entre os dois tipos de taxa de câmbio real não seria significativa.

Figura XXII – Taxa de câmbio real efetiva

bazuca - XXVI (continua)

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Para ler a Parte VI deste texto de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

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