FALEMOS DE ECONOMIA, FALEMOS ENTÃO DE POLÍTICA – QUANDO A INCOMPETÊNCIA OU A MALDADE SÃO CONSIDERADAS QUALIDADES E, COMO TAL, PREMIADAS, por JÚLIO MARQUES MOTA

Quando a incompetência ou a maldade são consideradas qualidades e, como tal, premiadas – Iª Parte – E

A propósito das recentes promoções de Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira e José Luís Arnaut

(CONTINUAÇÃO)

As incógnitas do Fed e dos bancos europeus. Para os europeus, a contenção da política monetária dos EUA, e as suas consequências, continuam a ser uma das incógnitas de 2014. Se Ferrand acredita que a saída actual da política acomodatícia do Fed continua a ser ” um acto de equilibrismo ” e levará ” muita habilidade para não quebrar a fase de crescimento que se abriu ” são muitos os seus colegas a pensar que as economias e os mercados se ajustaram ao “ tapering “, em maio de 2013, quando Ben Bernanke, então presidente do Fed, anunciou um potencial aperto monetário.

Fora da Europa, são menos os olhares tensos sobre o banco central dos EUA e há sim preocupação com o estado dos bancos europeus . “Os europeus, com excepção, talvez, do francês, não arrumaram os balanços dos seus bancos. Isto é o que faz incidir as maiores ameaças sobre as finanças globais e sobre a economia “, estimou em meados de Dezembro Michael Smith , Presidente Executivo da ANZ, o terceiro maior banco da Austrália e o primeiro na Ásia”.

Eis-nos perante um muito bom texto, assinado por Claire Guélaud . Não podemos deixar de sublinhar a contradição levantada relativamente ao aumento do IVA no Japão, porque se é pago pela redução do consumo acelera a recessão que se quer combater.

De novo a inconsistência quanto aos sinais de retoma, mas iremos assistir daqui até Maio ao mundo em melhoria crescente por obra não se sabe de quê, nem de quem, apenas fico com a convicção de que por detrás de tudo isto está a mão do Diabo, a mão de Mario Draghi. Mas sem políticas de relançamento, sem projecto de futuro, apenas o pavor das elites face aos resultados eleitorais. E é pena.

Tem-se vivido no reino da mentira ao nível de Bruxelas, de Frankfurt, de Berlim. Estamos a sair da crise, é o que toda a gente nos diz e a pergunta simples, muito simples, mesmo, seria como é que saiu? Muita gente que nos parece ideologicamente a soldo dos neoliberais repete-nos este discurso até à exaustão, mas logicamente sem nada nos explicar. E de repente, por obra do Feiticeiro de Oz, talvez, as taxas de juro descem! Ouvi mesmo alguém dizer na Televisão, alguém que me pareceu falar da Reuters que as taxas estavam a descer porque os objectivos estavam a ser superiores aos que os mercados esperavam! Inacreditável, e esta afirmação na Televisão poderá ser sempre verdade quanto não sabemos nunca qual é o resultado que os mercados esperavam. Mas vamos então aos mercados, vamos ao banco Natixis, e leia-se o que escreve Patrick Artus. Sinceramente, eu que não acredito na imprensa oficial, e quase toda ela é hoje oficial, assusto-me a ler este texto. E passamos a sintetizá-lo. Na abertura do Report diz-nos:

Nos países em dificuldade na zona euro há um claro e acentuado aumento das taxas de juro reais de longo prazo devido ao desaparecimento da inflação. Estes países estão, portanto, novamente confrontados com um problema de solvência e estão de facto a entrar em deflação. Isto não é o caso dos outros países da zona euro. A situação dos países que estão a entrar em deflação, esta é agravada pela necessidade de reestabelecerem políticas orçamentais restritivas, depois da pausa na austeridade fiscal em 2013. Se o BCE não faz nada e não tem como instrumento a política monetária da zona euro em apoio a esses países para que eles possam sair de deflação, a sua situação vai se tornar muito grave, enquanto a ideia geral que se está a propagar é que eles estão a sair da crise (…)

Gráfico I; II; IV) – As situações de Espanha, Itália, Portugal, Irlanda e Grécia que em conjunto representam 32% do PIB da zona euro

maldade - IV

maldade - Vmaldade - VI(continua) 

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Para ler a Parte – I – D deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem, em A Viagem dos Argonautas, vá a:

FALEMOS DE ECONOMIA, FALEMOS ENTÃO DE POLÍTICA – QUANDO A INCOMPETÊNCIA OU A MALDADE SÃO CONSIDERADAS QUALIDADES E, COMO TAL, PREMIADAS, por JÚLIO MARQUES MOTA

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