DA OVELHA “DOLLY” AOS NOSSOS MALTRATADOS INVESTIGADORES por clara castilho

9349741_b7nUl

Faz hoje anos que morreu a ovelha e isso fez-me lembrar a quantidade de investigadores que andam a dar cartas no estrangeiro, porque os atirámos para fora do país. Fez-me lembrar os recentes cortes nas bolsas para investigação.

A ovelha Dolly, que tanto assustou certos sectores da sociedade, em 1995 e 1996, criada por pesquisadores do Instituto Roslin (Escócia), Ian Wilnut e Keith Campbell, mas anunciado em 1997. Foi o primeiro mamífero a ser clonado, a partir de células adultas. Foi capaz de se reproduzir e foi mãe da ovelha Bonnie.
Em Janeiro de 2002 foi-lhe diagnosticada uma forma rara de artrite, uma doença que não é comum em indivíduos da mesma espécie com essa idade, o que veio questionar  os processos de envelhecimento de mamíferos clonados.

Cloud-Investig4

 

Este grande feito abriu o campo das pesquisas com células-tronco, oferecendo novas perspectivas no tratamento para inúmeras doenças e condições.

Nós por cá, no aqui e agora, e também portugueses algures. Consigo lembrar alguns. E que me desculpem os que não assinalarei por ignorância.

Temos o caso dos investigadores da Universidade do Minho (Sónia Borges, Bárbara Coimbra, Carina Soares-Cunha, José Miguel Pego, Nuno Sousa e Ana João Rodrigues) que descobriram um “possível” tratamento para doenças de alteração do comportamento, como o autismo ou a depressão, através de uma investigação com glucocorticoides, hormonas produzidas durante o stress.

E o português Pedro Campos que se insere numa equipa que criou  um sistema que pode mudar profundamente o ensino da Medicina, através do que parecem ser animações de grandes hologramas dos rins, do crânio e de muitas outras partes do corpo humano que podem ser utilizadas na educação médica ou em qualquer disciplina académica, melhor ensinando conceitos fisiológicos abstratos e procedimentos cirúrgicos, não só a estudantes e médicos, como também ao público em geral.

E Cristina Neves, estudante de doutoramento em Química Sustentável na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que foi uma das vencedoras do prémio Young Scientist Award de 2013, prémio que tem como objectivo homenagear e incentivar os estudantes cujos estudos e investigação apresentam um elevado nível de excelência e distinção. Foi premiada pelos trabalhos desenvolvidos nas áreas da nanoquímica e da nanotecnologia, desenvolvendo materiais que possam ser utilizados como biossensores.

E Ana Teresa Freitas que recebeu um prémio, dado pela fundação espanhola Everis, pela sua construção de um chip de DNA, que analisa centenas de genes  em simultâneo e pode salvar vidas.

Temos David Malta, Daniela Couto e Francisco dos Santos, que conceberam um preparado de células que reduz o risco de rejeição de transplantes.

Temos Diogo Sardinha eleito o primeiro presidente estrangeiro do Colégio Internacional de Filosofia em Paris.

E Tiago Rodrigues que em Cambridge desenvolveu uma nova técnica de ressonância magnética, provando que se consegue detectar mais cedo e com maior precisão o cancro

As bolsas de doutoramento e pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia foram drasticamente reduzidas. No concurso de 2013 foram atribuídas 298 bolsas individuais de doutoramento, menos 900 em relação ao ano anterior, e 208 bolsas individuais de pós-doutoramento, menos 469 comparativamente, num concurso de cerca de 3.500 candidatos para doutoramento e 2.100 para pós-doutoramento.

Sobre este assunto, o professor universitário Alexandre Quintanilha considera  ser um processo nefasto e muito perigoso o desinvestimento na investigação científica em Portugal, que pode levar a um retrocesso de décadas, com um ataque geral à grande maioria de investigadores no país. E apela à união da comunidade científica.

Por outro lado, no Miguel Prudêncio lidera uma equipa do Instituto de Medicina Nuclear, para a investigação de uma vacina contra a malária. E as verbas vieram de Bil Gates. É lamentável precisarmos de apoios externos de particulares. Afinal de contas, o conhecimento acaba por ser para todos, os do país onde se investiga, quer os outros. Mas que diabo, orgulhemo-nos destas pessoas e não só do Cristiano Ronaldo que recebeu um prémio qualquer!

1 Comment

Leave a Reply