O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA

PARTE III
(CONTINUAÇÃO)

3. Holanda: algumas reflexões

Sobre a descrição de uma imagem de Holanda e duas perguntas acerca deste país, leia-se o seguinte texto:

Um cenário familiar, portanto, que é já frequente na Europa nestes últimos anos e que agora atingiu, por exemplo, a Holanda, em Dezembro passado, foi “desonrada” pela perda do seu triplo A.

A austeridade em que este país embarcou lançou-o numa espiral recessiva que conduziu o crescimento económico a uma queda de ritmo, levando simultaneamente a um agravamento ano após ano do endividamento. Naturalmente aconteceu assim, quando o governo holandês adopta medidas de poupança e de aumento dos impostos que atingem 6.5% do PIB entre 2011 e 2014, e cerca de 2.5% das poupanças suplementares entre 2015 e 2017. Não há aqui portanto nenhuma surpresa: a dívida pública aumenta 65.7% (em % do PIB) em 2011 para 71.3% previstos para este ano. E o desemprego quase que dobra no mesmo período passando de 4.3% em 2011 para os previstos 8% em 2014.

Figura VIII) – Evolução do rácio Dívida Pública/PIB

piordacrise - X

Figura IX) – Evolução da Balança Orçamental (em % do PIB)

piordacrise - XICreio que, vale a pena aqui colocar alguns excertos de um excelente artigo de Jean-Luc Gréau sobre a Holanda:

Mais competitivo que a Holanda não há

Assente no pensamento neoliberal e nos seus critérios de sucesso seria a Holanda, mais do que qualquer outro país da região, o país que apresenta o mais elevado grau de competitividade. As suas exportações continuaram a aumentar, com exclusão da crise ocidental entre 2008 e 2009. E o seu excedente externo supera, proporcionalmente, o excedente alemão, tendo ultrapassado em mais de 10 p.p. do PIB: com esses dados, e calculado em valor per capita é o maior na zona euro.

Figura X) – Evolução da Balança Corrente (em milhões de euros)

piordacrise - XII

Tabela II) – Dados Macroeconómicos

TRADE LAST PREVIOUS HIGHEST LOWEST FORECAST  
CURRENT ACCOUNT

14336.50

2013-08-15

13689.00

21081.00

-2389.10

16609.67

   
EXPORTS

36797.00

2013-11-15

37545.90

38730.10

494.60

33651.88

   
IMPORTS

32574.00

2013-11-15

33790.70

34890.60

584.90

31376.31

   
CURRENT ACCOUNT TO GDP

8.30

2012-12-31

8.30

10.40

-1.00

8.47

   

Figura XI) – Evolução da Balança Corrente relativamente ao PIB

piordacrise - XIII

Estes resultados são baseados na existência duma indústria forte, cujo declínio permanece comedido. A produção industrial representa aproximadamente 22% da produção total, em comparação com 13% na França, e se somarmos os serviços para a indústria que fazem um todo com esta podemos avaliar que este vasto sector representa cerca de um terço do PIB.

Como na Alemanha, os custos de produção foram controlados ou mesmo comprimidos, e, como na Alemanha, ainda mais do que na Alemanha, as despesas públicas foram reduzidas, o governo holandês tinha conseguido a proeza de fazer descer as despesas públicas totais de 56% do PIB em 1996 para 44% em 2002 (beneficiando do grande crescimento europeu durante os anos 1997-2000), procederam a severos cortes nas despesas do Estado Social do país.

Mas a particularidade deste país, desde há quatro séculos, é de constituir um país de trânsito. Uma enorme quantidade de mercadorias entre ou sai da Europa através dos portos ou aeroportos deste país, tendo como termo de troca o aumento da produção, do emprego, do rendimento e das receitas fiscais e, tanto mais quanto as actividades adjacentes dos armadores e das seguradoras ainda aumentam a contribuição de trânsito para a prosperidade secular dos Países Baixos. Caso a Europa se ligasse a um regime de proteccionismo comercial, mesmo que moderado, veríamos uma queda significativa da actividade global do país. Os holandeses não podem deixar de ser uns devotos e uns fanáticos da globalização.

(continua)

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Para ler a Parte II deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA

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