E NOVAMENTE O BULLYING por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

E novamente o Bullying, não por nenhuma fixação ao tema, mas porque me parece que queremos meter o Rossio na Betesga, ou seja, nas escolas só se vive Bullying?

 No Diário de Notícias do dia 29 de Janeiro vinha um artigo intitulado “”Só metade dos alunos se recordam das campanhas anti-bullying.”

O estudo feito pela EPSIS revela que 72% dos alunos, entre 12 e 15 anos, já assistiram a cenas de Bullying.  Muitas das crianças envolvidas em cenas de Bullying não o reconhecem, pergunto-me como o reconhecem os 72% dos alunos?

Os dados do estudo são claros. Também sou professora e sei bem o que é este problema de violências e micro violências.

Também abordo o problema do Bullying. “oh professora o que quer dizer  bullying”,

 ” porque é que tudo tem que ser mau durante todo o dia”.

Penso que teremos de modificar a maneira como se aborda este tema, pois parece-me significativo que só metade dos alunos se recordem das campanhas anti-bullying. Será que a questão do bullying não lhes diz nada no dia a dia? Corresponderá a alunos com dificuldades de concentração? Não é de admirar que os alunos, que se envolvem em cenas de bullying, estejam associados a alunos mal comportados e com problemas de disciplina e que são esses e as suas turmas, que são indicados para participar nessas campanhas.

É claro que, não excluo, de cenas de bullying, os alunos que aparentemente são sossegados e que não apresentam problemas de rendimento escolar.

O bullying, ou seja, o implicar com o outro de maneira sistemática e continuada é um comportamento muito complexo para o qual as campanhas, só por si, não conseguem resolver.

Muitas crianças admitem que sentem uma coisa e depois não se controlam.

Há encarregados de educação que vão acusar os companheiros do filho de fazerem bullying. Isto acontece aos gritos à frente de todos os alunos e da professora que se sente impotente para “fazer com que o encarregado de educação se controle e que fale com a professora fora da sala”.

Há crianças que choram e nunca dizem porquê.

Há crianças que dizem que batem porque os pais dizem para eles baterem.

Há crianças que batem porque o colega ” lhe mete nervos, parece que está sempre a gozar”, porque o outro é diferente, seja porque for.

A campanha contra o bullying, segundo o meu ponto de vista, não é falar do que é o bullying, dos bullies, das vítimas, dos espectadores, é uma maneira de estar na escola, na vida. É reconhecer que não reagimos todos da mesma maneira aos problemas familiares, ambientais, sociais. Muitas pessoas reagem pela violência descontrolada e aí vão buscar algum sentido para a sua vida.

Quanto mais se reprime, quanto mais se aponta o dedo ao bullie e à vítima, mais violência vai haver entre eles.

Um dos agressores que teve direito a 1ª notícia nos media foi castigado com uns meses numa instituição em regime fechado. O rapaz disse “tive o que queria, falaram de mim” (estou a citar de cor).

Como se pode pensar que este rapaz, após uns meses em regime de internamento, sem visitas, quando sair não continue a ter comportamentos disruptivos?

Não se pode parar uma inundação secando o chão ao mesmo tempo que se deixa a torneira aberta.

Leave a Reply