Um grupo de pessoas de diferentes áreas a criou a Associação Portuguesa de Arte Outsider, que se propõe apoiar arte feita por doentes mentais ou simplesmente por artistas autodidactas que geralmente não expõem os seus trabalhos, divulgar o seu trabalho, criar um centro de documentação e um atelier de Arte Outsider.
Vítor Freire historiador e economista que fundou o museu do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, é o presidente, em entrevista ao PÚBLICO. Lembrou a obra de Jaime Fernandes (1900-1969), doente do Miguel Bombarda, cuja obra já abordei neste blog, assim como José dos Santos, camponês e escultor, que morreu em 1996. Com esta iniciativa poderá ser levado a cabo um levantamento dos artistas outsider existentes em Portugal. A divulgação dos seus trabalhos poderá contribuir para ajudar na evolução das suas perturbações. Os sues trabalhos também poderão, através da ajuda da associação, ser preservados.
A estas obras vulgarmente são chamadas de “Arte Crua”. Na definição de Jean Dubuffet ( “L’Art Brut préféré aux arts culturels”, Galerie René Drouin, Paris), são « as obras executadas por pessoas intocadas pela cultura artística, nas quais, portanto, o mimetismo, contrariamente ao que sucede com os intelectuais, desempenha pouco ou nenhum papel, de modo que os seus autores obtêm tudo (temas, escolha de materiais utilizados, meios de transposição, ritmo, maneiras de escrever, etc) do seu sentir profundo e não das convenções da arte clássica ou da arte em moda. Assistimos a uma operação artística inteiramente pura, crua, reinventada no conjunto de todas as suas fases pelo seu autor, somente a partir dos seus próprios impulsos. … “
A Arte Outsider não corresponde a um estilo ou a um movimento. Identifica-se pela sua diferença temática e pela sua originalidade formal em relação à arte institucionalmente aceite, ou “oficial”, de várias épocas ou movimentos. Também, geralmente, pela utilização de outros materiais e técnicas personalizadas. E ainda, fundamental no conceito, a Arte Outsider é criada, na grande maioria dos casos, por autores autodidatas, isolados ou sem ligação com a arte convencional, e é fruto do sentir profundo do autor: daí a sua inventividade, autenticidade e espontaneidade.

