Esta frase pode aplicar-se a muitas situações da nossa vida actual. Pois hoje vou falar de multas passadas pela PSP. Pode parecer ridículo mas ando mesmo incomodada. Todos os dias corro o risco de ver o carro rebocado, mas isso já acontece há anos, estou habituada…
Mas, neste momento há uma autêntica “fúria” na zona onde trabalho – a Junqueira, em Lisboa. Os locais para estacionar são limitadíssimos, nem há parquímetros. Existem dois parques de estacionamento. E um Hospital – Egas Moniz e uma Clínica Médica – CUF Belém. Para além de inúmeros departamentos, estatais ou não. De há uns dias para cá, o reboque de carros estacionados em cima de passeios – onde até nem estão a impedir a passagem de peões – é sistemática. Até existe uma carrinha da polícia, com uma mesinha na rua, à frente, para se pagar logo a multa…. Fiquei com pena de não ter uma máquina fotográfica. Algumas colegas têm posto o carro no parque da FIL pagando mais de 10 euros…
Uma amiga, há mais de 30 minutos numa fila de trânsito, parada, devido a um acidente, com o carro desligado, tirou o telemóvel para avisar o médico para onde se dirigia, que iria chegar atrasada. Logo foi apanhada por um polícia que lhe passou uma multa de 130 euros!
Contaram-me que, pelas 7 horas da manhã, em frente ao Hospital Egas Moniz, muitas pessoas se encontram a “passar pelas brasas”, cobertas com uma mantinha. Têm que chegar a essa hora, para garantir estacionamento sem risco de multa!
Dirão algumas pessoas que ter carro é um luxo. Será? Haverá verdadeiras alternativas para quem punha a hipótese de se deslocar em transportes públicos? E a preços acessíveis?
Ora, paradoxalmente, o Jornal i do passado dia 26 deste mês trazia um artigo com o título “PSP – Comandante proíbe polícias de dizerem ao telefone que não têm meios disponíveis”. Isto em Sintra, que era a informação de que o jornal dispunha. “O comandante da Divisão da PSP de Sintra enviou um email aos agentes a proibi-los de dizerem a quem telefona para as esquadras que não há meios disponíveis para atender as queixas”. Diversas pessoas tinham recebido respostas que ‘não há viatura’ ou ‘não há pessoal para ir aí’ ou ainda ‘não temos meios'”. O Sindicato Unificado da Polícia considerou esta atitude “reveladora” da falta de meios com que os agentes da PSP têm de lidar diariamente.
Ora, há falta de meios para umas coisas, mas há meios para se andarem a passar multas e a rebocar carros. Ah, mas a resposta às necessidades dos cidadãos faz “gastar” verbas, enquanto as multas fazem “entrar” verbas….
Contou-me uma senhora da comunidade que teve um cunhado cuja profissão era ser polícia. Era hábito ser chamado ao comandante que lhe dizia: ”Joaquim, você nunca passa multas!” E ao que ele lhe respondia: “Meu Comandante, quando eu passo está sempre tudo em ordem!”. E dali não saía, a resposta era sempre a mesma.
Infelizmente, puseram-nos numa verdadeira guerra de números, em que quem mais apresentar, nas mais diversas áreas, mais hipóteses terá de subir na carreira ou de…não ser despedido!