DESPESA PÚBLICA: A ESQUERDA FACE AO PUZZLE DE 50 MIL MILHÕES, por SOLENN DE ROYER

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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Despesa pública: a esquerda face ao puzzle de 50 mil milhões

Solenn de Royer, Le Figaro, Dépenses publiques : la gauche face au casse-tête des 50 milliards,

6 de Fevereiro de 2014

texto enviado por Philipe Murer, do Forum Démocratique, e Presidente da associação Manifeste pour un débat sur le libre échange.

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O ministro do Orçamento, Bernard Cazeneuve, pede aos ministros para fazer economias drásticas. Estes, estão a  temer “uma purga” em todos os orçamentos.

É um tremendo quebra-cabeças. François Hollande, que reúne no sábado, no Eliseu  um segundo conselho estratégico da despesa pública, encontra-se encostado à parede : depois de ter prometido arranjar os 50 mil milhões, o chefe do Estado deve doravante encontrar estes famosos “50 mil milhões, pelo menos”, destinados a reduzir o défice público e a financiar o pacto de responsabilidade para com as empresas [ uma espécie de TSU versão socialismo à Hollande]. As reuniões sucederam-se no Eliseu  desde a conferência de imprensa do dia 14 de Janeiro. Do seu lado, o ministro do Orçamento, Bernard Cazeneuve, iniciou o que podemos chamar de verdadeira proeza, a de receber os ministros  um a um e para lhes pedir  que façam economias drásticas. “Isto vai-se transformar numa purga, preocupa-se um peso pesado dentro do PS. Todos os orçamentos vão ser atingidos. Os ministros estão  mesmo transtornados. Não sabem como fazer… Resumidamente, é o horror.”

O ministro da Educação, Vincent Peillon, semeou a perturbação evocando na quarta-feira uma pista de trabalho explosiva: o congelamento provisório das promoções e dos adiantamentos para o conjunto dos funcionários. Ou seja 1,2 mil milhões de euros de economias por ano. Uma proposta que Peillon desmentiu seguidamente ter evocado. Mas esta hipótese de trabalho, levantada pelo Tribunal de Contas desde há anos, encontrar-se-á bem – ou seja, não é uma  “surpresa”, de acordo com alguém próximo do assunto – na ementa das discussões do conselho estratégico. “Quando estamos  num exercício de economias muito importante, não se pode proibir nada, reconhece um conselheiro do Eliseu. Deve-se olhar para todos os temas.”

Acontece que a “ fuga” do ministério da Educação nacional irritou o Eliseu, onde se deseja  andar rapidamente sobre um processo arriscado, evitando custe o que custar “as fugas geradoras de ansiedades ”  quando se está a cerca de semanas das municipais. Sábado, os ministros deveriam mais uma vez estar a desejar ardentemente evitar “falar sem razão e através”, de acordo com um conselheiro do Eliseu. “Atenção ao método!, previne o deputado PS Christophe Caresche. É necessário evitar estar a cortar em pistas de economia interligadas com o risco de coagular os descontentamentos. Isto significaria estar a queimar cartucho a cartucho antes mesmo de se terem feito as arbitragens.” Diante dos seus próximos, Cazeneuve confiou que “estava aliviado” pelo facto de que o dossier estar centralizado no Eliseu. “Não queria que os ministros ficassem com a recordação da sua pressão”.

«Missão Impossível!»

Ao governo e na maioria, a aposta de Hollande suscita muita apreensão, ou mesmo até o cepticismo. “Missão impossível!, diz-nos o conselheiro de um ministro. Jérôme Cahuzac dizia há um ano que era necessário encontrar 5 mil milhões de economias: continua ainda à procura desta quantia … O presidente não chegará a encontrar os 50 mil milhões raspando aqui ou lá. Vai ter que suprimir certas missões do Estado. Seria uma estreia!” “Limou-se um a um os tubos do órgão mas este método de corte às cegas, acabou, afirma um ministro “do grupo de trabalho” solicitado para se exprimir sobre os cenários das economias. Agora, a pergunta, é: onde é que vai buscar o dinheiro. Um próximo do Presidente não evita a questão: far-se-ão reformas estruturais, voltar-se-á a dar sentido às missões de Estado, caso contrário não conseguiremos.

« Assumindo este processo em mãos, Hollande espera ser julgado pelos resultados, observa um conselheiro. Ele é muito determinado. Não nos esqueçamos que ele vem do Tribunal de Contas. A Hollande agrada-lhe muito a ideia de um Estado que faz melhor com menos”. Um dirigente do PS sussura: “ao fazê-lo, François Hollande coloca-se no centro do campo de tiro.”

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