Para se poder falar em democracia (pelo menos em alguma democracia) numa sociedade, e como sabemos que vai continuar a existir uma diferença entre governantes e governados, apesar dos esforços dos melhores de entre nós para a reduzir e a tornar mais suportável, é preciso tornar compreensíveis à maioria das pessoas ideias e factos, cujos conhecimento e compreensão não são fáceis. Isto sem nunca esquecer a manipulação a que estamos permanentemente sujeitos pela grande comunicação social.
Aproximam-se as eleições para o parlamento europeu. Estas eleições despertam diferentes interesses na população. Alguns encolhem os ombros, e dizem que não vão adiantar nada, outros acham que, embora se tratem de eleições europeias, proporcionarão uma oportunidade para se discutirem os problemas nacionais, terceiros, enfim, opinarão que as eleições são uma perda de tempo. Haverá ainda os europeístas convictos, que acharão que se tratará uma oportunidade para participarmos mais e melhor na Europa, na sua construção, e em mais uma série de coisas que constam da cartilha respectiva. E outros.
Sem querermos, nós também, começar a opinar por nossa conta, diremos que duas coisas parecem certas, que julgamos que nem europeístas, nem antieuropeístas convictos, negarão: primeira, que a integração europeia tem trazido uma carga de trabalhos (e pesados!) aos portugueses, e segunda, que parece difícil, no actual estado de coisas, introduzir, por nossa conta, modificações significativas na engrenagem que nos tem presos. Quer dizer, está mal, mas é difícil mudar. Poderíamos agora, vir a dizer que nós, aqui no blogue, temos feito o possível para esclarecer as pessoas, mas não vamos por aí, pelo autocomprazimento. Se o fizemos, foi apenas a nossa obrigação. E temos de continuar, fazendo mais e melhor.
O problema é que na primeira linha estão as entidades europeias, o governo nacional e os partidos políticos concorrentes. E logo a seguir a comunicação social, os analistas e comentadores, as escolas, e muitos centros de interesse. Uns por interesse próprio, outros por falta de tempo, não medem a enorme distância que persiste entre o cidadão comum e as políticas europeias. Quase todos se apercebem do papel egoísta da Alemanha, nem tantos se aperceberão da actuação dúplice do Reino Unido ou compreendem as tristes figuras de François Hollande, e menos ainda percebem qual é a actuação das várias estruturas europeias, a começar pelo parlamento para vão votar. Por último, é geral a ignorância sobre a situação em que está actualmente a integração europeia, trocando por miúdos, sobre como está a união bancária, qual o futuro da PAC – política agrícola comum ou se se está a fazer alguma coisa de concreto para contrabalançar a desindustrialização. É por aqui que se tem de avançar.


Na minha opinião, a europa não é de construção nem popular (do povo) nem democrática e por isso mesmo, está à partida condenada. É uma europa de partidos e interesses inconfessáveis, para os quais o povo, é um mero recurso que gerem como se de gado se tratasse, decidindo em função de critérios economicistas quem vive e quem morre. Se é mais rentável abater ou excluir esta ou aquela classe.
Não voto – não aceito que o meu voto se traduza em euros nos bolsos dos partidos e dos deputados, sejam eles nacionais ou europeus.
Não aceito que se arvorem em porta-vozes das minhas inquietações, que desconhecem – nunca nos perguntaram… Não querem saber!
Eu também não.