Ninguém morre por um acordo comercial. Isto parece-me indiscutível. Mas terá sido assim na crise da Ucrânia, dizem-nos. Mas Kiev aí está a mostrar que não é assim , que se morre por outra coisa que não um acordo. E morre-se mais ainda quando alguém é pago para matar. Kiev está a mostrá-lo com os seus snipers. Mas quem pagou, ou melhor de onde é que veio esse dinheiro?
Ninguém morre por um acordo comercial. Isto parece-me indiscutível. Mas terá sido assim na crise da Ucrânia, dizem-nos. No entanto a imprensa disse sempre o contrário. Ninguém morre por um acordo comercial. Foi esta a minha posição de partida e o assunto então interessou-me. Alguns artigos já foram publicados, outros sê-lo-ão, e as conclusão a que se chegou, nada agradáveis, diga-se de passagem, levam-nos a que aprofundemos a questão de que ninguém morre por um acordo comercial e sobretudo quando o outro parceiro é um continente falido económica, social e politicamente, a União Europeia.
Ninguém morre por um acordo comercial. Isto parece-me indiscutível. Mas terá sido assim na crise da Ucrânia, dizem-nos. O resto é só a maldade de Putin, o ditador, que na verdade o é mas disso ninguém tem dúvidas. É assim com a nossa imprensa é assim até, pelo menos parcialmente, com um analista de grande gabarito como o é o Rui Tavares. Face a eles as minhas dúvidas, se não estamos perante uma montagem um tanto equivalente à que Hitler montou e aliás no mesmo sentido, dar força aos nazis, e neste caso trata-se dos homens do Maidan. O Washington Post já se questiona quanto á honestidade de Obama à volta de tudo isto, e quanto á honestidade dos dirigentes Europeus que parece estar branqueada com o mais forte detergente do mundo, os milhares de milhões que poderão escorrer de tudo isto, mas para a economia alemã, quando à honestidade desses dirigentes dizia eu, a Europa a morrer é uma prova bem evidente do que eles são.
Ninguém morre por um acordo comercial. Isto parece-me indiscutível. Mas terá sido assim na crise da Ucrânia, dizem-nos. Contra isso, uma série de artigos que iremos agora publicar. Pensámos começar pelos do Washington Post. Porém a conversa havida entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia e a Autoridade europeia para as questões externas leva-nos a que se comece por este relato. Depois de o lerem verão que todos os textos que se seguirem, mesmo que parecendo do domínio do fantasmagórico ficam muito aquém quanto ao impensável do que se relata nessa conversa, já autenticada por um dos interlocutores. Inacreditável, somente isto.
Entretanto uma pequena história. Um homem de direita, profundamente de direita, a viver neste país tem um restaurante numa cidade do litoral. Nele, uma das empregadas é ucraniana e que se abriu ao patrão dizendo-lhe: já não vou mandar mais dinheiro para a família. À reacção natural de um porquê, a resposta foi clarinha: despediram-se dos empregos e vão para a guerra ganhar o dobro. Tudo dito, nesta pequena história.
Ninguém morre por um acordo comercial. Isto parece-me indiscutível. Mas terá sido assim na crise da Ucrânia, dizem-nos. Defendemos um ponto de vista completamente diferente. E para escurecer, ou esclarecer, mais o cenário há a conversa telefónica entre a responsável pelos Negócios Estrangeiros da EU e o ministro da Estónia, relatada pelo jornal Guardian, já citada. Elucidativa, talvez.
E comecemos por este relato.
Coimbra, 10 de Março de 2014.

