(Cont. da parte I de 9 de Março)
O Senhor Ministro saberá o que são 26 alunos numa turma com dificuldades de aprendizagem, com comportamentos que configuram situações de micro-violência e de indisciplina? Peça ao professor para sair da sala e fique sozinho com a turma até ao fim da aula.
O Senhor Ministro saberá o que é mudar as regras do jogo a meio do jogo? Não me parece, pois se soubesse não andava a mudar currículos e metas como quem muda sinais de trânsito.
“Sim, mas eles sabem muito bem o que fazem!” Pois sabem, mas por causa da sua condição de vida, não lhes interessam as consequências.
O Senhor Ministro entre no gabinete do Director e veja a secretária cheia de impressos, de pedidos dos professores; de autorizações para ir a uma visita de estudo; de participações disciplinares, veja um professor abrir a porta e perguntar se o Director tem um “tempinho” para ele que está com um problema, com um encarregado de educação; de ofertas de projectos para minimizar a indisciplina na escola… para além disso vê convocatórias para reuniões. Vê tudo, menos aquele professor que gosta de leccionar e que está agora embrulhado em problemas burocráticos.
O senhor Ministro vá ao bar no intervalo e veja os alunos sentados no chão a namorar, encostados às paredes a ouvir música, a falarem muito alto, e quantas vezes com “palavrões”. Veja os professores sujeitos a encontrões quando estão na fila para o café.
A democracia já chegou à Escola Pública há quarenta anos e nesses quarenta anos muito se fez, por vezes com hesitações, com faltas de avaliação de projectos…mas tornou os seus alunos mais críticos porque mais intervenientes, tornou os nossos alunos mais alfabetizados, formou alunos que agora são conhecidos pelos seus trabalhos e reconhecidos internacionalmente. A nossa Escola Pública tem feito as percentagens do PISA subir, em proporção, relativamente aos países da europa, de forma significativa.
Quando vemos esses resultados não duvidamos deles porque o PISA é um estudo feito por pessoas responsáveis e credíveis. Nós, os professores, ficamos orgulhosos pois perante tanta adversidade ainda fomos capazes de ensinar as crianças e os jovens deste país, que não reconhece que estamos a viver uma época, com uma juventude altamente qualificada.

