PELO DIREITO À UNIDADE EUROPEIA, PELO DIREITO A UM IALTA II OU DA DESESPERANÇA DE HOJE AO DIREITO À ESPERANÇA, AMANHÃ – OS AMERICANOS COMEÇAM A APRENDER. NÓS MUDAMOS AS NOSSAS OPINIÕES ACERCA DO NOSSO IMPÉRIO LOUCO – por FABIUS MAXIMUS

Selecção, tradução e montagem por Júlio Marques Mota

10. Os americanos começam a aprender. Nós mudamos as nossas opiniões acerca do  nosso império louco.

19  Março de 2014

Editado por Fabius Maximus  website

Sumário:  Nós construímos um império, mas tal como o seu antecessor britânico, este traz poucas vantagens às pessoas e às pessoas  que pagam para  ele com o seu  sangue e com o seu dinheiro.  As sondagens recentes sugerem que nós poderemos travar essa visão imperial  mas é ainda muito cedo para especular sobre os efeitos desta mudança na política externa dos E.U.

“… é um facto de que a “mensagem” de Kipling era a de que a grande massa do povo  britânico não queria,  e certamente, nunca a teria aceite. A maioria das pessoas, nos anos de  1890 como agora, era antimilitarista, estava desagrada para com a ideia de  império e era somente patriótica de forma inconsciente. Os admiradores oficiais de Kipling eram e  são  os “representantes ” da  classe média…”

Veja-se : — “Thoughts on Rudyard Kipling” by George Orwell, Horizon, February 1942

Fabius - I

A América ganhou grande relevo mundial com a  guerra Espanha-América  (1898), com as vagas de êxitos alcançados que nos levaram depois a mais vastos e mais profundos  envolvimentos bélicos em redor do mundo. Nós tornámo-nos  o hegemon do mundo, funcionando como um louco  e inútil império.

O custo desses envolvimentos em dinheiro foram pagos pelos   contribuintes americanos.  O custo em termos de  sangue pelos jovens mancebos da  América (e por algumas mulheres também).

Cada vaga geracional combateu e ultrapassou um sentimento profundamente enraizado de isolacionismo . Mas uma nova geração é agora chegada, cujos pontos de vista poderiam reflectir e ser o espelho do desinteresse massivo  do público britânico  que terá havido durante a era passada do seu império.  As décadas de guerras inúteis e falhadas poderiam  finalmente ter tido algum efeito.  Especialmente em mentes mais frescas, mais abertas, como se mostra neste interessante  trabalho “Millennials in Adulthood“, Pew Research, 7 March 2014[1] :

Fabius - II

As sondagens mostram os efeitos desta evolução da opinião pública como em  “America’s Place in the World 2013” por Pew Research, 3 December 2013:

De acordo com este estudo 49% dos jovens interrogados dizem-se patrióticos

Fabius - III

Os nossos falcões cantam, mostrando que não aprenderam nada com as nossas caras derrotas desde 9/11, mas vêem que o público já não os segue. Como no op-ed de Condoleezza Rice (Secretário de Estado 2005-2009) em Washington Post (7 de março de 2014):  ”Will America heed the wake-up call of Ukraine?   (“Deve a América escutar o pedido de apoio da Ucrânia ?”  O sempre perspicaz Ta-Nehisi Coates dá uma resposta negativa:

1. Condoleezza Rice era um membro importante de uma administração que se  lançou numa guerra na base de uma  falsa  justificação e em que com empenho  abraçou e aplicou sob a sua responsabilidade a prática da tortura … Assumiu historicamente uma cegueira bem  particular para reivindicar que tais acções não devem não ter nenhum efeito em toda a nossa exaltação dos valores da “democracia e dos direitos humanos.”

2. Um belicista autojustifica-se sempre. Se  alguém  for incompetente e se desencadear  uma guerra perdida  no Iraque, isto não significa que esse alguém precisa de se sentar e de  reflectir sobre os  estragos feitos. Isso significa que esse alguém deve continuar a fazer mais  guerra o que  levará a que o Iraque se  torne uma base para os seus inimigos. Se Vladimir Putin viola a soberania ucraniana, é evidente que se trata de provas a exigir uma abordagem ainda mais robusta. Se Putin não a viola,  isso é então uma prova que ele teme o poder americano.

3. Se não houver nenhum ataque terrorista em solo americano, então os drones são uma coisa boa   e o estado da nossa  segurança deve ser eficaz. Se houver ataques, então a Autoridade  responsável pela  nossa segurança deve aumentar a sua vigilância, e mais bombas devem ser atiradas..

4. Violência gera violência. A Paz gera violência. O círculo continua.

David Brooks faz uma análise mais sofisticada de  que o simples belicismo de   Condolezza Rice,   expresso em  ““The Leaderless Doctrine“.  David Brooks, op-ed no New York Times, de  10 de Março de 2014. Conor Friedersdorf apresenta  uma frontal e  poderosa rejeição do  seu ponto de vista  em “The Decline of the American War Hawk“,  Atlântic, 11 de Março de 2014 — “tem  havido um recuo  nos Estados Unidos contra o intervencionismo estrangeiro — mas David Brooks e outros disso não se apercebem.” Conor Friedersdorf explica o que está a acontecer.

O que os americanos estão realmente a sentir, especialmente depois do Iraque e do Afeganistão  lhes ter relembrado os  limites da força militar, é que a lei dos  rendimentos marginais decrescentes mantém-se, o mesmo é dizer que se deixado por sua própria conta  o Pentágono iria gastar sem limite.

… Os americanos que querem os EUA menos envolvido nos problemas mundiais já não andam a dizer o mesmo que Brooks  e que este,  por razões que eu não consigo entender,  acha “surpreendente” que se diga: que há limites para as mudanças que os políticos americanos e soldados podem querer fazer, e que esses limites deveriam ser óbvios para todos aqueles que olham  para o Iraque, Afeganistão ou para a  Ucrânia.

Esta questão está a ser debatida devido á crescente insistência da opinião pública americana porque as pessoas percebem, correctamente, que há um quadro de insiders em  Washington, D.C. — burocratas, militares contratados, pessoas pertences aos  grupos de reflexão e de pressão, jornalistas,  comentadores,  editores como Bill Kristol, escritores como Max Boot — tão alheios aos limites da América que ainda não conseguem ver que a última intervenção militar que sucessivamente defenderam e que com muito êxito o fizeram,  foi ela própria  um enorme  erro, mesmo que, nesse caso, os seus resultados catastróficos tenham já dado os seus efeitos.  .

Pode haver um novo dia na  América — se nós pusermos em marcha a nossa nova e mais sofisticada visão sobre o mundo.  Os meios financeiros dissipados, perdidos, em aventuras no estrangeiro podem ajudar a reconstruir as nossas infraestruturas em decomposição e a preparar melhor a América para competir no século XXI.

Fabius - IV

Clear vision is power

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About our foreign policy:

  1. Mitt Romney and the Empire of Hubris. Setting America on a path to decline., 10 October 2011
  2. Advice from one of the British Empire’s greatest Foreign Ministers, 18 November 2011
  3. Continuity and dysfunctionality in US foreign policy (lessons for our conflict with Iran), 13 January 2012
  4. Look at America’s grand strategy. Why do we believe this nonsense?, 5 March 2013

.

Nota : .

A geração do Milénio  está a  forjar  um trajecto distinto na idade adulta. Agora, os seus elementos estão situados na faixa etária dos  18 aos  33, são relativamente não comprometidos com os organizações políticas  e com a religião, ligados entre si pelos media sociais, carregados de dividas,  desconfiados para com os outros,  sem pressas para se casarem,  optimistas sobre o futuro.

As quatro gerações em análise:

The Millennial Generation

Born: After 1980

Age of adults in 2014: 18 to 33*

Share of adult population: 27%

Share non-Hispanic white: 57%

Ind 50%; Dem 27%; Rep 17%

Generation X

Born: 1965 to 1980

Age in 2014: 34 to 49

Share of adult population: 27%

Share non-Hispanic white: 61%

Ind 39%; Dem 32%; Rep 21%

The Baby Boom Generation

Born: 1946 to 1964

Age in 2014: 50 to 68

Share of adult population: 32%

Share non-Hispanic white: 72%

Ind 37%; Dem 32%; Rep 25%

The Silent Generation

Born: 1928 to 1945

Age in 2014: 69 to 86

Share of adult population: 12%

Share non-Hispanic white: 79%

Dem 34%; Ind 32%; Rep 29%

Texto de base, Fabius Maximus,  Americans begin to learn. We change our views about our mad empire , disponível em:

http://fabiusmaximus.com/2014/03/19/isolationism-foreign-policy-66365/

Pew Research Center,     Millennials in Adulthood-Detached from Institutions, Networked with Friends, texto disponível em:

http://www.pewsocialtrends.org/2014/03/07/millennials-in-adulthood/

e igualmente:

Pew Research Center,    Public Sees U.S. Power Declining as Support for Global Engagement Slips-America’s Place in the World 2013, disponível em:http://www.people-press.org/files/legacy-pdf/12-3-2013%20APW%20VI.pdf

[1]Veja no final do texto as características para as quatro gerações referidas na  figura abaixo.

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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