A bela ideia do FMI: uma sobre-taxa de 10% sobre as poupanças para reduzir as dívidas públicas –
O Bundesbank fala em taxar os “ricos” e fala desta forma para não assustar as populações. O FMI, é bem mais claro, fala em taxar claramente todas as poupanças, isto toda e qualquer família dispondo de um património líquido positivo. Afinal propõe-se nada mais nada menos que a primeira versão do assalto a Chipre e pela mão do FMI!
O facto da semana: « A Alemanha evoca uma “super-taxa ” sobre os patrimónios das famílias para ajudar os Estados em dificuldades financeiras”.
Montagem de vários textos publicados no final do mês de Janeiro em França, desde jornais a blogs de reconhecida seriedade.
Créditos da foto : Andreas Arnold/AFP
Os Estados da zona euro, confrontados com uma dívida pública que se tornou insuportável, deveriam introduzir um imposto excepcional sobre as fortunas privadas dos seus cidadãos?
No seu relatório mensal do mês de Janeiro de 2014, o Banco Central alemão, pelo seu lado, encara a hipótese de se aplicar uma “tal super-taxa” para reembolsar as dívidas dos Estados insolventes.
Assim fazendo, o Banco alemão nada mais faz que retomar uma hipótese de trabalho mencionada em Outubro passado , pelo FMI na sua Assembleia anual de 2013, ou seja, o estabelecimento de “um imposto aplicado uma só vez sobre todo o capital”. A ideia não tem nada de novo: durante os últimos dois séculos foi constantemente posta em frente após cada guerra mundial. Quando os Estados-Membros estão confrontados com uma dívida de liquidação impossível, uma tal solução torna-se pensável , “os ricos” devem expressar a sua solidariedade, enquanto a população pagou o seu “imposto de sangue”. O Japão esteve neste caso, no rescaldo da segunda guerra mundial e ele foi um dos poucos países a passar da hipótese aos actos.
Risco de fuga de capitais
Na sua argumentação, o Bundesbank explica que “um desendividamento real (do Estado) através de uma taxa de inflação elevada é excluída por causa do compromisso com a estabilidade de preços no sistema euro”. Esta facilidade sendo excluída, e em situações extremas, seria possível reduzir a dívida através de uma imposição de «tirar e sair, uma só vez», de uma vez por todas. Uma tal solução poderia prever-se apenas para “um Estado em crise e em que se teriam esgotado todas as outras possibilidades” avisa o Bundesbank, que fala da ‘situação excepcional absoluta e da ameaça de insolvabilidade”
Os seus especialistas estão perfeitamente cientes de que a operação deve ser realizada apenas uma vez”, que ela teria “um alto custo político “para o governo em causa e em que se teria que intervir rapidamente. Em especial para evitar fenómenos de fuga de capitais e de evasão fiscal. Este esforço excepcional, aplicado aos aforradores privados também seria mais “credível” se em paralelo fosse acompanhado por reformas estruturais.
Evidentemente, nenhum país é referido. A referida medida refere-se apenas aos Estados em situação de endividamento tal que se tornam insolventes. Para justificar o recurso a um imposto excepcional sobre o capital privado, o Bundesbank não deixa de sublinhar que os cidadãos de países na zona euro que tenham beneficiado de ajuda internacional nos últimos anos mostram terem níveis do património financeiro e imobiliário muitas vezes superior aos dos Estados que os têm ajudado!
Os «eurobonds» estão fora de hipótese
Na França, por exemplo, a riqueza das famílias totalizou 13 milhões de milhões de euros, cerca de 7 vezes o montante da dívida que é actualmente de 1,9 milhão de milhões de euros. Esta situação pelo menos paradoxal tinha sido realçada por um estudo realizado pelo BCE, que mostrou que, apesar da falência da ilha, os cipriotas eram ricos, mais ricos mesmo que as famílias alemãs…
Aqui novamente o Bundesbank não nomeia ninguém, contentando-se em referir o estudo do BCE, onde a classificação dos países de acordo com a riqueza privada dos seus nacionais coloca a Alemanha em último lugar.
Ao mesmo tempo que sublinhava os riscos políticos de um tal imposto sobre o capital, com todos os perigos técnicos da sua aplicação, o Bundesbank pretende fazer compreender que cada Estado deve recorrer primeiramente às soluções nacionais junto dos seus próprios cidadãos, antes de apelar para a solidariedade dos seus vizinhos da zona euro. Um argumento adicional para dizer que os ‘Eurobonds’, permitindo mutualizar o financiamento dos governos nacionais, decididamente não são para agora.
[image: Imagem intercalada 1]Se eu tivesse capital ,ai …onde estaria ?Alguma vez esta golpada vai apanhar o que pretende ?-Maria