FÁTIMA PITTA DIONÍSIO
( 1950 )
O MAR PLASMA A MÃO DO SEU SILÊNCIO
O mar plasma a mão do seu silêncio
no aroma incolor de algas ardentes.
Margina a solidão como quem bebe
a carícia de um vento imaculado.
No seu olhar poisa um ávido céu
amando a costa loira, arquitectada
por alados engenheiros
que o ar aspiram como licor.
A alma dos girassóis então se veste
de ansiedade, pronunciando as vésperas
para um tempo de delírios
em que sonhar é a maior luz.
(de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)
Poetisa e autora de ensaios históricos e literários. Incluída em várias antologias de poesia: “Da Ilha que somos” (1977), “O Natal na Voz dos Poetas Madeirenses” (1989), “Poet’Arte 90” (1990). Publicou os volumes “Edifiquei-te uma ilha” (1989) e “Amor em Memória” (1999).

