POESIA AO AMANHECER – 422 – por Manuel Simões

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            FÁTIMA PITTA DIONÍSIO

                                                  ( 1950 )                                            

 

            O MAR PLASMA A MÃO DO SEU SILÊNCIO

 

            O mar plasma a mão do seu silêncio

            no aroma incolor de algas ardentes.

            Margina a solidão como quem bebe

            a carícia de um vento imaculado.

            No seu olhar poisa um ávido céu

            amando a costa loira, arquitectada

            por alados engenheiros

            que o ar aspiram como licor.

 

            A alma dos girassóis então se veste

            de ansiedade, pronunciando as vésperas

            para um tempo de delírios

            em que sonhar é a maior luz.

 

            (de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)

 

Poetisa e autora de ensaios históricos e literários. Incluída em várias antologias de poesia: “Da Ilha que somos” (1977), “O Natal na Voz dos Poetas Madeirenses” (1989), “Poet’Arte 90” (1990). Publicou os volumes “Edifiquei-te uma ilha” (1989) e “Amor em Memória” (1999).

 

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