A ESPANHA NA AGONIA – AS DIRECTIVAS EUROPEIAS CONTRA OS POVOS, por AURIEN DERIEN

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

A Espanha na Agonia

As Directivas Europeias contra os povos

Mapa_Espanha_CC_AA

A Agonia no Jardim*

 

 

 

 

 

 

Auran Derien,  Revista Metamag

25 de Março de 2014


Houve a mentira dos bancos a salvar solicitando-se para isso  o Estado que, a partir daí, veio a ficar altamente endividado. Não há muito muito tempo, em 2011, a dívida pública espanhola atingia 62% do PIB enquanto as dívidas do sector financeiro atingiam   203% do PIB (o triplo).

bankia

A quase falência do banco Bankia é provocada, em Espanha como noutro  pais da zona euro, pelas  montagens financeiras envenenadas.  Porque é que o Estado teria de  intervir? Um incumprimento  de pagamento deste banco ter-lhe-ia criado um problema? É uma questão que é  necessário nunca deixar de repetir.  Desde 2007, o cenário é sempre o mesmo. Neste conto de  dormir de pé, os poderes públicos põem-se sistematicamente ao serviço dos bancos privados e financiam o seu salvamento através dos  empréstimos públicos.

A crise é agravada pela fuga de capitais

O sector imobiliário, em dificuldades como todos os outros, pesa sobre os balanços bancários, tanto mais quanto os  capitais fogem. Mais os governos pedirão dinheiro a Bruxelas, mais haverá capitais a fazer sair. Desde 2012, sabe-se que o total dos créditos duvidosos dos bancos espanhóis calculava-se em milhares de milhões com  três dígitos… Francamente não serve de nada  estar a ignorar a realidade. É necessário reorganizar os bancos. O Estado tomaria  o controlo das suas acções, estudaria  as suas manigâncias para punir os responsáveis enquanto que ao mesmo tempo transferiria  os clientes e as suas contas para  novas instituições que assentariam sobre os princípios da mutualidade e da cooperativa.

A destruição do político, em Espanha como algures na zona euro

O poder político identifica-se cada dia, cada vez mais, a uma associação de malfeitores. Houve Rodriguez Zapatero depois de José Maria Aznar e agora chegou a vez  do lamentável Mariano Ra (ba) joy. Aznar tinha coberto os atentados de Madrid (11 de Março de 2004) afirmando que os autores eram bascos. Na época, alguns jornalistas honestos tinham explorado pelo menos quatro outras pistas, sobre serviços secretos que teriam montado a operação sob falsas bandeiras. O sítio da rede Voltaire tinha defendido  a hipótese de que o atentado provinha dos serviços secretos partidários “da guerra ao terrorismo”.

Desde então, a situação política tem vindo  de mal a  pior. Todos os governantes, após cerca de alguns meses apenas, têm caído no descrédito. A população não quer mais nenhum partido político, seguindo nisso  o processo que se iniciou  na Grécia e que atinge  agora todos os países. Encontramo-nos face a tensões sociais que a função política, encarregada normalmente de organizar a negociação entre grupos já não quer sequer  resolver dado que os dois partidos que se sucedem são compostos dos mesmos políticos sem ideias.  Mariano Rajoy está  obcecado também pelos planos de austeridade e faz, na verdade,  a ruína do seu povo, com a redução drástica das despesas públicas, como o tinha já feito  Zapatero. Está-se a fazer isto  por toda a parte na Europa, tanto na Grécia como na Espanha, na Itália assim como na França, como em Portugal, seguindo-se  nessa política  as directivas da Comissão Europeia.

A bota de ferro dos exércitos de ocupação

Der Spiegel

O governo espanhol aceitou que as bases de Rota  (Cádis) e Morón de la Frontera (Sevilha) sejam  reforçadas. Em Rota será instalado um centro naval do escudo antimísseis da NATO enquanto que em Morón será recebida a força expedicionária dos marines  (850 marines) com toda a sua  logística, dado que Obama afirmou que Móron seria o lugar a partir do qual os EUA poderiam empreender operações em  África. Em Rota, já terão chegado – de acordo com o sítio elespiadigital.com – o Donald Cook, seguidamente virá o  Ross e, em 2015, o Carney e o Porter. Estes quatro navios manterão 5.000 pessoais (Militares, civis e famílias) em permanência.

No

No imediato, resultam encargos suplementares para o Estado espanhol que paga toda a estrutura de vigilância e de protecção destas bases, e cujos serviços de informação bem como os dados sobre a sua população vão passar para as  mãos da NATO e dos  Estados Unidos. Como então criar um eixo de civilização Paris-Berlim-Moscovo quando os exércitos estrangeiros instalam as suas  bases de mísseis dirigidos principalmente contra a Rússia?

Uma esperançar:  a vontade dos povos

Os responsáveis políticos espanhóis já deixaram de ser capazes  de um pensamento lúcido. Estes encarnam perfeitamente o nível médio do mundo político europeu. Neste sábado 22 de Março, o povo espanhol convergiu para Madrid e protestou contra esta situação política. Cada um espera que os responsáveis sejam em breve impedidos de prejudicar o país

 Revista Metamag, Auran Derien, L’ESPAGNE A L’AGONIE , Les directives européennes contre les peuples,  25/03/2014

*Ilustração ao princípio:  A Agonia no Jardim, por El Greco

 

Ver:

http://www.metamag.fr/metamag-1915-L%E2%80%99ESPAGNE-A-L%E2%80%99AGONIE-Les-directives-europeennes-contre-les-peuples-.html

 

2 Comments

  1. O mapa que acompanha o texto contem a resposta política mais necessária às Nacionalidades Oprimidas no estado espanhol e sem a sua concretização política nenhuma solução dita económica alcançará sucesso.
    Se Portugal – e muito bem não devia, nem podia ter colónias – que razão haverá para que o Reino de Castela posse tê-las. Para ser-se colonizado não é fundamental a cor da pele. Como é evidente já nada contraria a realidade de Portugal estar a ser colonizado pelos germânicos. Como já não podem chegar mais longe contentam-se com as migalhas que estão à mão!!! CLV

Leave a Reply to Carlos A P M Leça da VeigaCancel reply