As comemorações do 25 de Abril vão continuar. E na próxima quinta-feira é o dia 1º de Maio. São dias de festa para todos nós. Ou pelo menos, para a maioria de nós. Todos sabemos que há portugueses que não gostaram do 25 de Abril e que acham que o 1º de Maio não tem razão de ser. Alguns expressam-no abertamente, outros não. Há sempre interesses em jogo, e muitas personalidades em conflito, com os que detestam, com os que amam e até consigo próprias. As datas não significam o mesmo para toda a gente. Nem o poderiam ser. Só as ditaduras querem esse tipo de igualdade.
O pluralismo de opiniões permite escolher as melhores, a quem tiver a preocupação de se informar. Mas praticar a democracia não é só fazer essa escolha, é também participar na própria formação das tais opiniões, discutindo-as nos partidos, movimentos, comissões de moradores, reuniões públicas e privadas, blogues, chats (não é assim que se diz?), e em todos as oportunidades que se proporcionam. Mas em vez disso o que vemos é recrudescer a propensão para censurar quem se manifesta publicamente, ou quem puxa conversas mais viradas para matérias relacionadas com a governação ou a política em geral, mesmo ao nível particular.
No próximo dia 25 de Maio são as eleições para o Parlamento Europeu. Já se sabe que são múltiplas as opiniões, a todos os níveis. Muito justamente, tem-se dito que, no sentido de voto, vão pesar mais as questões que mais directamente afectam os portugueses do que realmente os problemas ao nível europeu. É muito natural que assim aconteça, dada a dimensão dos maus tratos a que temos estado sujeitos. Contudo, a gigantesca máquina de propaganda oficial está em marcha para procurar manter o poder nas mãos dos do costume. Este caminho virá a ser ainda mais gravoso para os portugueses e para Portugal.
A Europa parece solidamente agarrada pela oligarquia tradicional. Esta, contudo, tem de mudar alguma coisa, mesmo mantendo o mesmo rumo. Tudo indica que a próxima manobra vai ser o avanço da união bancária. Os reflexos que esta vai ter nos portugueses estão a ser muito pouco analisados, pelo menos em público. Parece que o primeiro passo vai ser a supervisão bancária passar a ser feita ao nível do BCE, um organismo que não parece nada preocupado com os interesses dos cidadãos, e cujos responsáveis são escolhidos no segredo dos deuses. São questões como esta que é necessário trazer à praça pública. Temos que estar atentos!

