PORTUGAL 1929 por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Por volta de 1929, as Ordens Religiosas regressam a Portugal para dar continuidade ao combate contra o caótico estado social em que o país estava mergulhado.

Destaca-se, nesta altura, O Padre Américo que ficou responsável pela gestão da “sopa dos pobres” ao mesmo tempo que escrevia para o jornal “Correio de Coimbra” revelando as dificuldades e as carências dos pobres.

Fez um levantamento e caracterização de problemas sociais, ignorados pela população,como nunca se tinha feito.

criança 1929

Divulgou esses resultados nas igrejas e a população uniu esforços, solidarizou-se com esta causa e contribui com géneros alimentícios, com roupa e com dinheiro.

Padre Américo aproveitava as igrejas para sensibilizar a população para as necessidades do pobre e das crianças.

Em Coimbra ia aos lugares mais escondidos, degradados, escuros e pobres para ver a pobreza, era conhecido nos meios sociais e culturais de Coimbra como o Padre da Batina Negra.

Padre Américo denunciava todos os casos de injustiça social que encontrava desde os desempregados, os pobres, as crianças que estavam na rua e não tinham onde dormir.

casa do gaiato

 

Reconhece, em cada um que recorre à “sopa dos pobres”, a existência de uma vida cheia de algo mais do que a fome.

Vai a todo o lado onde há pobreza, onde há doença, era a época da lepra, e denuncia na igreja e nos jornais. A população reagia com donativos.

Escreveu “Pão dos Pobres” para denunciar a sociedade feita de miséria humana.

E como sempre, as crianças eram o elo mais fraco dessa sociedade, era o menino que anda na rua a pedir esmola, era o filho ilegítimo, era o abandonado, era  o que ficava na marginalidade.

Para minimizar este problema criou “Colónias de Férias” na montanha.

Criou a “Casa do Gaiato”, uma casa que fosse das crianças, para elas, governada e amparada por elas. Segundo Padre Américo, a sociedade gera monstros, estes meninos inocentes são dos que mais tarde se sentam no banco dos réus.

Para Padre Américo não há rapazes maus, e para nós?

caixotes do lixo

Porque “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente que lhe assegure e à sua família, a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda aos serviços sociais necessários” (Excerto do artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos do Humanos), os Bancos Alimentares Contra a Fome são uma resposta necessária mas provisória,

O primeiro Banco Alimentar em Portugal foi o de Lisboa, fundado por José Vaz Pinto, em 1990.

“A austeridade conduz a uma negação ou violação dos direitos das crianças”. Esta é a principal conclusão de um relatório da Convenção dos Direitos das Crianças em Portugal do início deste ano. O documento foi elaborado pela a Comissão Portuguesa da UNICEF e nove organizações não governamentais do país.

O criador do projeto The Big Issue, que inspirou, entre outras, a revista Cais, defendeu hoje que o modelo de caridade demonstrou ter falhado em conseguir a transformação social necessária para combater a pobreza ( DN 22/02/2014).

O documento “O impacto da crise europeia”, da Cáritas Europa aponta para o cenário de uma Europa onde os riscos sociais estão a aumentar, os sistemas sociais estão a ser pressionados e os indivíduos e as famílias estão colocados numa situação de enorme tensão. Conclui ainda que a prioridade das políticas de austeridade não está a funcionar e será necessário procurar alternativas.

mão a pedir esmola

O que falta para se procurarem alternativas? A frase mil vezes repetida “não há alternativa” ainda não se tornou verdade, em todas as crises há alternativas nem que passe por uma revolta activa, assim é que não podemos viver.

crianças a pedir esmola

1 Comment

  1. *É CASO PARA SE FAZER UM PLESBICITO SOBRE “qUEM DÁ MAIS “?*

    *Deste sistema capitalista rotulado de “blásblás” há que agitar as massas .Estamos a arrebentar pelas costuras .Para retardar o colapso ,entretem-se com espectáculos -até parece que se vive sem fome ,sem desemprego ,sem corrupção …tantos “sem” Maria *

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