No presente mês de Maio de 2014 os palestinianos vão recordar, mais uma vez, a Nakba, o desastre, ou a catástrofe. Nakba é o termo escolhido para designar a limpeza étnica iniciada por Israel em fins de 1947, que levou à expulsão de centenas de milhar de palestinianos das suas casas e das suas terras, durante guerras e combates, até ao fim de 1948. Centenas de aldeias e várias cidades foram destruídas. Foi a primeira parte de um longo calvário que, 66 anos depois, continua sem fim à vista. Calcula-se que os refugiados palestinianos noutros países e os seus descendentes ultrapassem os sete milhões de pessoas, enquanto que as populações de Gaza e dos territórios ocupados continuam a ser duramente pressionadas para seguirem o mesmo caminho.
Entretanto, milhares de palestinianos permanecem nas prisões israelitas, em condições que autorizam a considerá-los como presos políticos. Algumas centenas destes presos estarão detidos apenas administrativamente, isto é, sem qualquer forma de julgamento. Têm feito greve da fome repetidas vezes, reclamando serem libertados, havendo informações de que outros prisioneiros têm aderido a esta acção, em número cada vez maior. Ontem, 8 de Maio, terá sido um dia de grande adesão. Também há informações de que a repressão sobre os aderentes à greve da fome tem sido muito forte, com muitas alterações dos locais de detenção, agressões, e inclusive privação de água e de sal, essenciais à sua sobrevivência.
A gravidade desta situação justificaria um interesse acrescido da comunidade internacional, muito maior e muito mais qualificado do que o verificado até à data. A grande comunicação social apenas em certas alturas nos dá informações sobre a Palestina e os palestinianos, sobretudo para referir o falhanço de negociações entre Israel e a Alta Autoridade Palestiniana, dizendo que as culpas cabem a todos, o que é o mesmo que dizer que as negociações não serviram para nada. Ou então dá notícias sobre incidentes violentos, em que os israelitas aparecem como punindo ou prevenindo acções dos palestinianos. Mesmo as acções puramente de auxílio humanitário arriscam-se a aparecer como de apoio ao terrorismo.
O apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel tem sido o principal suporte da política expansionista deste último. O grande objectivo dos sionistas de ver reconhecido um estado confessional, em condições únicas no mundo, parece merecer aceitação junto dos responsáveis norte-americanos. Claro que essa pretensão se destina a prevenir qualquer reivindicação dos palestinianos espoliados das suas casas e das suas terras, e que ainda aspirem a voltar ao seu país, ou pelo menos a obter alguma reparação pelas violências que sofreram. Por outro lado, Israel não abdica de aumentar a sua população com imigrantes de várias partes do mundo, e de os estabelecer em colonatos nos territórios ocupados, em áreas cada vez maiores. Não se vê, continuando a manter estes objectivos, que queira alguma vez cumprir algum tratado de paz com as populações que expulsou.
Por tudo isto, se conclui que, para se pensar seriamente em assegurar alguma justiça aos palestinianos, terá de haver uma grande mudança em Israel, nos Estados Unidos e no resto do mundo. Remover grandes interesses e obstáculos. É verdade que noutros pontos do nosso planeta, como no Sudão, como na Nigéria, há igualmente situações de uma desumanidade atroz. Mas conseguir ao menos progressos reais para a situação dos palestinianos daria um grande exemplo e ânimo a outros povos.