CARTA DO RIO – 3 – por Rachel Gutiérrez

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Lisboa revisitada

 

Rever Lisboa depois de alguns anos para reencontrar sua luminosidade, seu claro céu azul e sua beleza teve, desta vez, a surpresa dos ventos intensos e do frio que pareciam desnaturar maio e a primavera. Mas o calor humano dos que me acolheram compensou plenamente os destemperos da estação.

Na primeira fila dos que assistiram à minha palestra na Sociedade Portuguesa de Autores, lá estavam os companheiros argonautas Manuel Simões, António Gomes Marques e João Manuel Pacheco Machado, que participaram com eficiente eloquência do debate que se seguiu; à minha direita, no palco, a valorosa e tão amável Clara Castilho, que também arranjou tempo para me acompanhar em visitas aos museus; e, à minha esquerda, para me saudar e apresentar, a inteligente, exuberante e generosa Professora Elisa Costa Pinto, que não poupou elogios ao meu trabalho e à minha escrita, o que muito me comoveu.

Horas antes, sempre guiada pela incansável Clara Castilho, tivera a oportunidade de conhecer Manuela Tavares e outras companheiras feministas do Umar, onde me senti “em casa”, literalmente inter pares, o que sempre nos aquece o coração.

Houve outro reencontro muito significativo para mim: vi, por acaso, na TV, um documentário sobre a inesquecível Maria de Lurdes Pintasilgo, figura política exemplar que tanto admiro, e pude constatar suas imensas afinidades com o saudoso Dom Helder Câmara e com o nosso corajoso teólogo da Libertação, Leonardo Boff. Vi também um filme sobre quem considero uma das maiores poetas do nosso tempo, a maravilhosa Sophia de Mello Breyner Andresen, e ainda pude ver de perto, graças à solicitude da amiga Clara Castilho, muitos quadros de minha pintora predileta – Maria Helena Vieira da Silva. Extraordinárias mulheres de Portugal, que saúdo com reverência e alegria.

Acima de tudo, porém, preciso expressar aqui minha gratidão ao amigo Carlos Loures, cujo convite e iniciativa muito me honraram e fizeram feliz.

 

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