MAYA ANGELOU – UMA MÃE PARA MILHARES DE FILHAS por clara castilho

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Foi há poucos dias que  a escritora e activista Maya Angelou faleceu,  com 86 anos.

Foi professora de Estudos Americanos na Wake Forest University a partir de 1982, mas teve vida dura até aqui chegar…

Hoje considerada “tesouro nacional, cuja vida e ensinamentos inspiraram milhões de pessoas pelo mundo”, segundo os responsáveis pela universidade, foi vítima de racismo, abuso sexual. Sempre com coragem, enfrentou todos os preconceitos. Mãe adolescente, teve que se fazer à vida. E, assim, foi a primeira condutora negra de autocarros. Depois trabalhou no mundo do espectáculo.

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Tendo conhecido Martin Luther King, tornou-se uma das organizadoras do “Cabaret for Freedom”, com o qual foram angariados fundos cruciais para a Southern Leadership Conference, a organização presidida por Luther King para a luta pelos direitos civis dos negros.

Juntou-se à luta pelo fim do apartheid na África do Sul. No Gana onde conheceu Malcolm X, a cujo movimento se juntou no seu regresso aos Estados Unidos, em 1965.

Do ponto de vista literário obras dramatúrgicas, prosa e poesia.

Penso que em Portugal só um dos seus livros está publicado. Trata-se de “Carta à Minha filha”, da editora Estrela Polar, em 2009.

O livro é assim apresentado: “Dedicado à filha que nunca teve, Carta À Minha Filha mostra o percurso de Maya Angelou até alcançar uma vida boa e com sentido. Escrito no seu estilo inimitável, este livro está acima de qualquer género ou categoria: é ao mesmo tempo um livro de pequenas histórias, um livro de memórias, mas também um livro de poesia – e é um prazer absoluto.

Em pequenos e fascinantes textos, Maya Angelou permite-nos vislumbrar alguns aspectos da vida tumultuosa que a levou à posição cimeira que ocupa nas letras americanas e lhe ensinou lições de solidariedade e de força: a sua educação por uma avó insubmissa no ambiente de segregação racial do Arkansas, a sua vida a partir dos treze anos com a mãe, uma pessoa muito mais mundana e menos religiosa, até se transformar numa adolescente meio desajeitada, cuja primeira experiência de sexo sem amor a deixou, paradoxalmente, com a sua maior dádiva, um filho.”

Excerto

«Dei luz a uma criança, um rapaz, mas tenho milhares de filhas, Sois brancas e negras, judias e muçulmanas, asiáticas, hispânicas, ameríndias e esquimós. Sois gordas e magras e bonitas e feias, homossexuais e heterossexuais, instruídas e iletradas, e estou a falar para todas vós. Isto é o que tenho para vos oferecer.»

 

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