FRATERNIZAR – Foi você que pediu eleições legislativas antecipadas? – por Mário de Oliveira

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O PCP pediu uma audiência ao PR, para tentar convencê-lo a dissolver o Parlamento e provocar eleições antecipadas. O PR não se fez rogado e marcou a audiência para o mesmo dia em que a Selecção Portuguesa de Futebol jogava no Brasil com a todo-poderosa Selecção da Alemanha. Para cúmulo, apoiada, na bancada VIP pela todo-poderosa chefe de Governo alemão e da União Europeia, via Durão Barroso, o tal da Guerra do Iraque, hoje, outra vez presente naquele país e nos telejornais do mundo e cujas consequências podem ser devastadoras.. Os 4-0 que o melhor do mundo, CR7, apanhou nas trombas e, com ele os outros todos que trabalham para ele, é em tudo semelhante ao rotundo NÃO que o PCP, na pessoa do seu generoso e dedicado secretário-geral, Jerónimo de Sousa, apanhou do PR. Que Aníbal Cavaco Silva, só abre as portas do seu Palácio de Belém ao PCP, porque este é um partido com representação parlamentar. E a Lei constitucional exige que o faça. Mas abrir as portas do palácio ao PCP, não é o mesmo que abrir o coração de quem o habita ao PCP. De resto, o coração do PR Aníbal é o Euro, pelo que, se a Constituição que ele jurou cumprir, mas desrespeita a todo o instante, lhe permitisse, ele comeria comunistas, todos os dias, ao pequeno-almoço. Assim passa os seus penosos dias desgostado, mai-la sua Maria, a dos presépios de outros tantos meninos-jesus.

Não se riam, nem chorem com isto que acabo de escrever. Porque a realidade é mesmo assim como acabo de escrever. E como, para seu desgosto, o PR Aníbal não pode comer comunistas ao pequeno-almoço e o seu coração é o Euro, lá se vê forçado a recebê-los no seu palácio, mas é como se os não recebesse. Tudo não passa de um mero acto protocolar. E, se alguma coisa se lamenta aqui, é precisamente que o generoso e dedicado Jerónimo de Sousa se tenha prestado a este acto protocolar. Porque, com este seu acto, para mais devidamente engravatado em dia de calor, deu um gozo orgástico do caraças ao PR Aníbal. O gozo de lhe poder dizer nas trombas um rotundo NÃO, como os 4-0 da selecção alemã ao melhor do mundo, CR7 e companhia. São assim as coisas neste tipo de mundo do poder financeiro que promove e faz idolatrar marcas como a CR7, ao mesmo tempo que deixa morrer de inacção e de abandono as companhias de teatro e os seus artistas, os grandes pintores das profundidades da alma humana, como, por exemplo, o pintor Anjos Fernandes, de Leiria, meu amigo e companheiro na linha da frente do debate de ideias e nas práticas políticas alternativas. Para não falar já dos poetas e escritores que não se vendem aos Prémio Nobel da Literatura financeira, que também a há e cada vez mais, em todas as nações. Hábeis em ficcionar de tal modo a realidade que a realidade deixa de existir, para ficar apenas a ficção com que as tvs financeiras enchem horas e horas da sua programação quotidiana.

Quando a Política se transforma em poder político, prostitui-se e prostitui os respectivos agentes. Tal como o futebol dos milhões, nos antípodas das práticas desportivas em todas as suas modalidades, prostitui os respectivos praticantes. Quanto mais milhões ganham, mais idolatrados são pelas massas que são levadas a tomar a ficção pela realidade e só por isso projectam neles e no seu viver estapafúrdio e imoral todas as suas inúmeras frustrações. Só que quanto mais idolatrados eles são, mais filhos da puta são. (Atenção! Filho da puta, à luz da Fé e da Teologia de Jesus, quer dizer filho da Besta, do Deus-Ídolo, filho de Aquilo-que-domina-e-mata-a-alma das populações, para, depois, poder fazer delas gato-sapato, sem que elas se apercebam de nada, tão anestesiadas que vivem do nascer ao morrer).

A verdade é que o país, delirantemente atento à marca CR7 e ao futebol mundial dos milhões, nem deu pela ida do PCP a Belém, o palácio do poder monárquico e absoluto, mesmo que o regime em que vivemos se mascare de republicano. Muito menos se deu conta do objectivo que o levou lá, o de pedir eleições antecipadas. Quando lhes roubam a voz e a vez, isto é, a prática política, as populações e as pessoas deixam de ser sujeitos e protagonistas, e depressa, tornam-se massas que os uns quantos Chico-espertos da direita e da esquerda manipulam e arrastam para onde muito bem querem. Já não são mais pessoas, já não são mais populações. São massas que lotam estádios de futebol, como lotam as grandes praças de escravos religiosos que são os santuários da senhora de fátima, de Lourdes, da Aparecida, de Guadalupe. E como é o santuário do senhor santo cristo dos milagres, nos Açores. O que perfaz a abominação das abominações. Com os intermediários, sacerdotes religiosos ou laicos, a transformar as populações e as pessoas em carne para canhão e para exportação/emigração, como outras tantas mercadorias.

Ai que saudades da militância política clandestina, meu amigo Jerónimo de Sousa, com os seus protagonistas cercados de pides por todos os lados, mas mentes limpas e lúcidas, sentinelas atentas e prenhes de afectos para dar e receber, e casas e mesas compartilhadas! Que saudades! Eu sei que hoje os tempos são outros, mas a clandestinidade, em modalidades outras, continua a ser essencial para a prática política maiêutica, de resto, a única capaz de ser parteira de um tipo de mundo plena e integralmente humano. Ousemos, pois, desertar do poder político e regressar à prática política maiêutica clandestina. Dois ou três unidos, reunidos e activos em comunhão maiêutica com a Humanidade crucificada, deixam o poder financeiro e os seus dois parceiros, o poder político e o poder religioso, aos papéis. Muito mais do que provocar eleições antecipadas que, se, porventura, acontecerem, deixam tudo na mesma. Apenas mudam as moscas!

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