MANUEL RODRIGUES LAPA – Uma vida ao serviço da Língua Portuguesa – Carlos Loures e José Ferraz Diogo

Este excerto da biografia de Manuel Rodrigues Lapa publicada em Vidas Lusófonas, é o primeiro post de um bloco dedicado à figura e à obra do grande linguista, homenagem que lhe prestamos neste dia em que se comemoram os 800 anos da existência oficial da Língua Portuguesa. É uma tábua cronológica onde se registam as datas mais importantes da vida do insigne Professor. Segue-se um artigo do argonauta e linguista galego Carlos Durão que abordará a vertente galeguista da obra de Rodrigues Lapa.

1897: Em 22 de Abril nasce na freguesia de S.Paio d’Arcos, na então vila de Anadia, sendo, em 23 de Maio baptizado na sua Igreja Paroquial. 1903: Em Outubro,Imagem3 com seis anos, inicia a Instrução Primária. 1907: Em Julho passa, com distinção, no exame da 4ª classe. Em Outubro faz exame de admissão à Real Casa Pia de Lisboa, sendo aprovado e frequentando o curso liceal no Colégio de Santa Isabel, pertencente àquela instituição. 1914: Conclui o 7º ano, secção de Letras. Matricula-se no curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa. 1915: Inicia colaboração no jornal O Povo de Anadia. Um ano e meio mais tarde, começará a colaborar no Jornal de Anadia.1918/19: Integra a direcção da Associação Académica da Faculdade. 1919: Em Dezembro, presta provas de licenciatura em Filologia Românica, sendo aprovado.

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1920: Em Outubro começa a exercer funções de sub-bibliotecário na Biblioteca Nacional. Ao mesmo tempo, frequenta a Escola Normal Superior e o curso de Direito, do qual virá a desistir. 1921: Publica um primeiro livro: A Cultura Moral e o Ensino da Língua Francesa. 1922: É nomeado professor agregado do Liceu Camões. 1923: Em Abril, casa com Inês Augusta Coelho da Costa. Em Junho é nomeado professor efectivo no Liceu Central de Martins Sarmento, em Guimarães. 1924: Em 17 de Janeiro nasce o seu único filho, Armando. Publica D. Afonso V e o Príncipe D. João: ensaio sobre uma regência. 1925: Publica os livros didácticos La Douce France e Le petit élève de français. 1926: No início do novo ano lectivo, é colocado no Liceu Gil Vicente, em Lisboa. 1928: É admitido como professor auxiliar contratado na Faculdade de Letras de Lisboa. 1929: Em Outubro, é-lhe atribuída uma bolsa de oito meses para estudar em Paris. Ultima a tese de doutoramento – Das Origens da Poesia Lírica em Portugal na Idade Média. Publica Cantigas de Afonso o Sábio. Inicia colaboração na revista Seara Nova. 1930: Defende a tese de doutoramento. 1931: Volta à Faculdade de Letras. 1933: Em Fevereiro, no Salão da Ilustração Portuguesa, em Lisboa, profere a conferência A Política do Idioma e as Universidades. A palestra levanta celeuma. O governo do Estado Novo afastá-lo-á da docência universitária. Ainda em Fevereiro, alunos da Faculdade de Letras, prestam-lhe homenagem junto da sua casa, à Costa do Castelo. A partir de Outubro, dá aulas no Liceu de Viseu. 1934: Publica a 1ª edição de Lições de Literatura Portuguesa: época medieval. 1935: Em Maio, por decreto-lei, é privado de acesso a qualquer emprego público. Começa a leccionar no ensino privado. 1936/37: Desenvolve intensa actividade, publicando textos na Revista Lusitana, no Boletim de Filologia e em O Diabo, semanário cultural de que é director, dirige a Colecção de Clássicos Sá da Costa, bem como os Textos Literários da Seara Nova.1939: Traduz e apresenta a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 1940: Em Abril, com 64 anos, morre sua mãe. 1945: Em Março é nomeado Sócio correspondente da Real Academia Galega, da Corunha. Publica Estilística da Língua Portuguesa. 1947: Em Dezembro, morre seu pai, com 71 anos.1949: Em 5 de Janeiro dá uma entrevista ao Diário de Lisboa defendendo o fim da ditadura. No dia seguinte é preso pela polícia política. No jornal O Estado de São Paulo, publica uma série de seis artigos sob o título Em prol da democracia. 1950/53: Publica textos na Seara Nova, nas revistas Anhembi, de São Paulo, Romania, de Paris, Galícia, de Buenos Aires, nos Cuadernos de Estudios Gallegos, de Santiago de Compostela e na Revista Portuguesa de Filologia, de Coimbra. 1954: Em Agosto parte para São Paulo, onde participa no Congresso Internacional de Escritores. Dá conferências na Universidade local e na de Minas Gerais, regressando a Portugal em Setembro. 1957: Em fins de Maio parte para o Brasil, onde fixará residência, leccionando Literatura Portuguesa na Universidade Federal de Minas Gerais.1958: Em Porto Alegre (Setembro) participa no Congresso Brasileiro de Dialectologia e Etnografia. 1960: Publica Vida e obra de Alvarenga Peixoto. 1962: Regressa a Portugal, em Dezembro. À chegada é preso pela PIDE, sendo solto no mesmo dia. 1964: Lecciona um curso prático em Santiago de Compostela sobre as Cantigas de D. Lopo Lias. 1965: Publica em Vigo Cantigas d’escarnho e de mal dizer dos Cancioneiros medievais galego-portugueses. Editada no Rio de Janeiro, sai Miscelânea de língua e literatura portuguesa medieval.1967/68: Colabora na Seara Nova e em jornais e revistas portugueses e brasileiros. A Seara, em Maio de 1967, publica textos de homenagem pelo seu 70º aniversário. 1969: Em Maio, participa no II Congresso Republicano realizado em Aveiro. 1971: Em Coimbra, profere a conferência A Galiza, o Galego e Portugal. 1973: Em Fevereiro, substitui Augusto Abelaira na direcção da Seara Nova, cargo que ocupará até Dezembro de 1974.Na revista Colóquio-Letras, publica A recuperação literária do galego. 1974: Imagem7Abril, na cidade de Ouro Preto, recebe a medalha de ouro da Inconfidência Mineira. Em Dezembro, Orlando Ribeiro propõe a sua reintegração na Faculdade de Letras; Rodrigues Lapa recusa. 1976: Em Maio, nasce em Lisboa o seu terceiro neto, Ricardo Manuel. Recebe, da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, a medalha Oskar Nobiling. Em 5 de Outubro, o governo português atribui-lhe a comenda de Grande Oficial da Ordem da Liberdade. 1977: Em Maio, na passagem do seu 80º aniversário, a classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, aprova um voto de saudação. 1979: Sai o seu livro Estudos galego-portugueses: por uma Galiza renovada. 1980: Em 25 de Abril, recebe das mãos do presidente Ramalho Eanes, a Ordem da Liberdade que lhe fora atribuída em 1976.1982: Em Julho, na Universidade de Aveiro, profere uma palestra sobre O problema linguístico da Galiza: sobre cultura e idioma na Galiza. 1983: Em Julho, é-lhe prestada homenagem na Biblioteca Nacional. Publica As minhas razões: memórias de um idealista que quis endireitar o mundo… 1988: Em Dezembro, a Universidade de Aveiro atribui-lhe o título de doutor Honoris Causa. 1989: Morre em 27 de Março às 23 horas no Hospital de Anadia. Em Julho, a Escola Secundária de Anadia toma o seu nome.1990: Em 15 de Janeiro, a título póstumo, o presidente da República atribui-lhe a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.1993: Em Janeiro, é criado o Instituto Rodrigues Lapa, em cerimónia realizada no Palace Hotel da Curia. 1996: Em 20 de Abril têm início, em Anadia, as Comemorações do 1º Centenário do seu nascimento.

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Nas ilustrações : Igreja Paroquial de S. Paio d’Arcos onde Rodrigues Lapa foi baptizado

Fotografia da licenciatura. Rodrigues Lapa é o segundo de pé, a contar da direita

Rodrigues Lapa discursando da varanda da Câmara Municipal de Anadia, em Junho de 1974, durante uma manifestação de apoio ao 25 de Abril.

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