Em memória de Vasco Graça Moura – 19 – por Álvaro José Ferreira

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Ó Meu Amor, Não Te Atrases

Poema: Vasco Graça Moura (in “Letras do Fado Vulgar”, Lisboa: Quetzal Editores, 1997 – págs. 40-41; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 215-216)
Música: Viviane (Viviana Parra Guerreiro)
Intérprete: Viviane* (in CD “As Pequenas Gavetas do Amor”, ZipMix Records, 2011)

[instrumental]

Ó meu amor, não te atrases
vou agora pôr-te à prova
esta noite é Lua Nova
e tu não sabes de fases

se chegas tarde eu te acuso
de que andarás a enganar-me:
vindo de ti, cada abuso
me soa a sinal de alarme

teus olhos arregalados
não são desculpa melhor
sabes cá chegar de cor
e mesmo de olhos fechados

nem um cego se perdia
lá fora agitam-se os ramos
nas brenhas da ventania
é tarde, porém jurámos

que enquanto este amor se guarde
e seja o nosso segredo
virias cedo, bem cedo
e havias de partir tarde

[instrumental]

sendo a Lua Nova ou Cheia
ou Crescente ou Minguante
o que a nós nos incendeia
é fogo de outro quadrante

é clarão de uma outra luz
que ao pressentir os teus passos
acendi quando dispus
quatro quartos nos teus braços [4x]

* [Créditos gerais do disco:];  Viviane – voz, flauta;  Tó Viegas – guitarra portuguesa, guitarra acústica;  Rui Freire – bateria;  Xico Santos – contrabaixo
Nelson Conceição – acordeão;  Miguel Drago – guitarra portuguesa;  João Mogo – trompete;  Tiago Rêgo – percussões:  Produção musical – Tó Viegas e Viviane;  Produção executiva – Tó Viegas;  Gravado e misturado por Tiago Lopes, no Estúdio ZIPMIX, Quelfes – Olhão, durante os meses de Junho e Julho de 2010;  Masterizado por Tó Pinheiro da Silva

Fado dos Trevos

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 28-29; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 65)
Música: Florêncio de Carvalho
Intérprete: Clara* (in CD “Encontros”, Thape, 2010)

A vida é feita de escolhas:
quis escolher uma vez
um trevo de quatro folhas
mas só vi trevos de três

quis então cantar nas ruas
um fado que as três resuma
mais valem três do que duas
e mais duas que nenhuma

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero
no meu onde, como e quando,
tinha de partir do zero

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero

[instrumental]

acontece que entretanto
deu-se um golpe de teatro
encontrei-te e amei-te tanto
que as três valeram por quatro

e assim nas minhas escolhas
eu tinha razão talvez
transformando em quatro folhas
trevos que eram só de três

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero
no meu onde, como e quando,
tinha de partir do zero

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero

[instrumental]

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero
no meu onde, como e quando,
tinha de partir do zero

e então cantando e somando
o que quero e o que não quero

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