VAMOS BEBER UM CAFÉ? – 2 –  por José Brandão

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Poção mágica.

 

Os viajantes europeus que se arriscavam a atravessar o Mediterrâneo ficavam fascinados com esta «poção mágica». São vários os textos que a descrevem como «uma muito boa bebida à qual chamam Chaube, que é quase tão preta como a tinta e muito boa para as doenças, especialmente as do estômago».

No século XVII, o café já tinha alcançado os lugares mais altos da sociedade europeia.

O Papa Clemente VIII, que primeiro tinha considerado a bebida preferida do mundo Islâmico como parte da ameaça dos Infiéis, mudou de ideias depois de o provar, convertendo-o numa bebida perfeitamente cristã.

A primeira casa de café abriu em Itália, em 1645, e cem anos mais tarde estes estabelecimentos enxameavam a Europa. O Café Florian, aberto em Veneza em 1720, era célebre no seu tempo. Paris foi outra cidade que sucumbiu perante os encantos do café, tendo os seus mais celebrados templos o Café Procope, fundado em 1686

Outra cidade conquistada pelo café foi Viena. Os turcos trouxeram-no com ele quando cercaram a capital austríaca, em 1683. Quando levantaram o cerco a Viena deixaram 500 sacas de um pó negro e seco, que filtrado com água, adoçado e junto a um farrapo de leite mostrou ser uma bebida muito agradável.

Mas o grande impulso ao café veio da Holanda, cujos hábeis comerciantes descobriram o valor comercial do produto e no final da era de Seiscentos conseguiram levar algumas plantas roubadas na Arábia para novas plantações na Ilha de Java. Mas o país que maior importância deu ao café como pretexto para a reunião de homens e ideias foi a Inglaterra. Londres, por volta de 1700, tinha mais de dois mil cafés. E isto apesar de mais uma proibição, em 1676, pelo rei Carlos II. O decreto real foi de tal maneira contestado, que a sua aplicação foi revogada dois dias depois da sua publicação. O papel do café como bastião da livre expressão de opiniões teve outras implicações, especialmente na América do Norte, onde os cafés tiveram o seu papel na fundação de uma nova nação.

 

 

A seguir – A revolução

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