É TÃO BONITO E EMOCIONANTE VER UMA CRIANÇA CRESCER por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Segundo o Relatório da UE Portugal é o país onde nascem menos bebés. Em 40 anos a população portuguesa reduziu para metade.

Portugal é um país envelhecido, a esperança de vida aumentou para mais 20 anos entre 1960 e 2002. Mas o aumento de esperança de vida não trouxe para a sociedade uma mais valia para a vida, para a sociedade.

Temos pessoas reformadas que estão nos bancos do jardim a jogar às cartas, pessoas a tomar conta dos netos, pessoas que poderiam estar integradas na “vida activa” com a vantagem de que poderiam melhorar a sua auto estima, o seu interesse por viver consumindo menos remédios para a(s) depressão.

A sociedade, que não os acolhe, poderia ser diferente, pois são pessoas que sabem fazer muita coisa em prol da comunidade.

Agora parece moda falar-se na inter-geracionalidade ou uma nova solidariedade entre as  gerações.

  geração grisalha

No entanto a “geração grisalha” parece um problema, porque tem reforma, algumas ridículas, porque recorre mais vezes ao serviço nacional de saúde e, só aí o governo poderia arrecadar uns milhões de euros…para pagar a dívida … mas eles ainda estão vivos, …apesar de muitas vezes não tomarem os medicamentos prescritos pelo médico, porque a dita reforma não chega para cuidarem da sua saúde.

A natalidade desceu em Portugal e porquê?

A resposta não é fácil nem é só uma, são tantas quanta as aspirações das mulheres e dos homens.

São tantas quantas as decisões políticas sobre despedimentos, sobre trabalho precário, sobre horários de trabalho, sobre apoio o apoio às crianças, sobre a Educação

São tantas quanto as licenças de maternidade e de paternidade.

São tantas quanto os preconceitos de o homem ir ao médico com a filha e a mulher ir trabalhar.

São tantas quantas as pressões laborais relativamente à mulher que quer exercer a sua profissão e subir na carreira sujeitando-se a condições de trabalho discriminatórias entre o homem e a mulher a quem se exige que durante cinco anos não engravide, porque isso iria afectar o horário de trabalho (idas ao médico, acompanhamento escolar) e a licença de maternidade que é obrigatória.

Será que o empregador vai começar a querer saber também se os candidatos ao emprego têm doenças crónicas?

O que isto tem a ver com a baixa da natalidade em Portugal?

Há quem não tenha filhos por opção.

Há quem não tenha filhos porque os seus horários (de stress) não permitem ter tempo para os filhos.

Há quem não tenha filhos porque não pode devido à sua condição económica.

Há  quem vá adiando à espera que a sua vida melhore.

É triste não poder ter um filho por falta de condições sociais, é triste agravar a vida dos pais porque se nasceu…

Isto é sinal que a sociedade está “doente” e precisa de vitaminas, não a C, mas a do Emprego digno, a da Educação para que não seja elitista respeitando a Convenção dos Direitos da Criança, a da Habitação para quem não tem casa.

Tenho vergonha com o que aconteceu com um grupo ,de 70 ciganos, que viu a sua casa destruída a mando da Câmara Municipal  de Vidigueira, sem aviso prévio violando, assim, a Constituição da República Portuguesa e os Direitos Humanos.

Uma sociedade que impede o nascimento de mais crianças é uma sociedade que precisa de acordar e encontrar maneira de se revoltar.

  bia bebes

É tão bonito e emocionante ver uma criança crescer…

Dói a alma ver crianças a pedir esmola…

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