CRÓNICA DO MUNDIAL – ACABOU A COPA – VENHA A PRÓXIMA! – por João Machado

imagem3Com esta sexta crónica sobre o Campeonato Mundial de Futebol, encerramos a série que iniciámos com um trabalho de António Gomes Marques, seguindo-se os artigos de Carlos Loures, João Machado, Manuel Simões, Paulo Rato e, novamente João Machado. Os “amigos de Sílvio Castro” cumpriram a missão de que ele se encarregara. Obviamente, sem o brilho e  sem os conhecimentos que o Sílvio possuía. João Machado faz hoje o balanço final de um campeonato com jogos de elevada qualidade e, sobretudo, emotivos, muitos deles de resultado incerto até ao final. «Acabou a Copa – venha a próxima!». Vamos ler.

Domingo passado, 13 de Julho, acabou o Campeonato do Mundo de Futebol de 2014. Venceu a Alemanha. E, no meu entender, venceu bem. Seja perdoado a um fraco fã de futebol emitir assim uma opinião tão clara, mas é o que sinto, na verdade. Falando em termos puramente futebolísticos, a Alemanha foi a melhor equipa. É verdade que quem viu o jogo que travou com o Gana percebeu que a actual selecção campeã do Mundo não é de modo nenhum imbatível. Mas acabou por superar os obstáculos, e no jogo com o Brasil, deu um espectáculo assombroso de serenidade e eficiência.

Não será exagero dizer que o triunfo alemão também se deve ao falhanço das outras selecções. É verdade, mas no futebol, como noutros capítulos da vida humana, em que predomina aquilo que se costuma designar pela competitividade, é o que se passa. O sucesso de uns depende não só do valor próprio, como do estado em que se encontra a concorrência. Não poderei aqui fazer uma análise exaustiva, mas apenas algumas comparações, sem dúvida que incompletas. Veja-se um aspecto, que julgo muito importante. A selecção alemã incluiu em quase todos os jogos sete jogadores do Bayern de Munique: Manuel Neuer, PhilippLahm, BastianSchweinsteiger, Toni Kroos, JerômeBoateng, Thomas Muller e MarioGötze. O Bayern de Munique venceu o campeonato da Alemanha, e desde 25 de Março que já tinha o título garantido. Fazendo uma simples comparação, Portugal, no onze inicial que apresentou no jogo com a Alemanha, tinha apenas um jogador que actuou no país na época de 2013/2014: o guarda-redes Rui Patrício, que, pelo que consegui perceber, até teve uma actuação fraca no jogo, apesar de, na minha opinião, se tratar de um bom profissional. A melhor interligação entre os jogadores alemães foi notória, nomeadamente nos jogos com Portugal e o Brasil. Alguns comentadores chamaram a atenção para a influência de Pep Guardiola no tipo de jogo que desenvolveram, nomeadamente no jogo com o Brasil.

Outras selecções actuaram abaixo das expectativas. Apenas a Holanda, e um pouco a Argentina, conseguiram marcar uma presença em campo que se pode considerar à altura das suas tradições. A Inglaterra, a França e a Espanha não marcaram essa presença. Em compensação a Costa Rica excedeu as expectativas. E ainda bem que aparecem novidades na competição. Deve-se referir ainda que o Brasil esteve abaixo do que se esperaria. Mas olhando bem, o ambiente emocional no país e na própria selecção não lhe foi nada favorável, olhando apenas em termos puramente futebolísticos. Os justíssimos protestos de muitos brasileiros em relação às verbas gastas na preparação do campeonato criaram a técnicos e jogadores um clima de exigência de sucesso que em nada lhes foi favorável. O facto de grande parte dos atletas actuarem no estrangeiro, em provas muito duras, fez com que aparecessem fatigados neste campeonato. É necessário ter presente estes factores nas análises que se fazem. Inclusive o facto de a selecção alemã ter estagiado durante várias semanas no Brasil antes de começar a Copa, terá sido um factor importante no seu sucesso. São aspectos a ter em conta no futuro, pelas federações e equipas técnicas, quando prepararem os futuros campeonatos.

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