CARTA DE LISBOA – Contas de mercearia colonial – por Pedro Godinho

lisboa

Afogam-nos em números, diariamente, uns atrás dos outros  e repetem que estamos melhor e no bom caminho, é só preciso mais um esforço por mais um tempinho (indefinido), que os sacrifícios vão resultar e o país ficará a salvo dos excessos passados (viver acima das possibilidades).

Não vou defender o Sócrates e as suas PPP – que fizeram crescer as construtoras e a banca, consultoras e sociedades de advogados, mais que o país – nem a forma como fez crescer a dívida sem que tal se traduzisse num real desenvolvimento do país; mas ele já saltou.

Nem, agora, vou voltar à questão (que não deixa de ser importante) de como o PSD/Passos Coelho chegou ao governo afirmando – prometendo – (quase) o contrário do que depois fez.

Fiquemos pela simples questão da eficácia e dos resultados alcançados:

(fonte Pordata, com fontes de dados: DGO/MF–BP–INE  http://www.pordata.pt/Tema/Portugal/Contas+Nacionais-11)

No final de 2011 a dívida pública portuguesa era de 185,2 mil milhões de euros e cerca de 108% do PIB (já com 6 meses de governo PSD mas demos de barato que, coitados, nesse ano não puderam inverter o despesismo socratino – em  2010 fora de 162,5).

No final de 2013 aumentou para 213,6 mil milhões de euros e 129% do PIB. O valor da dívida apontado como previsto para 2014 é de 214,2 mil milhões de euros.

(mil milhões de euros são 9 zeros: ‘000.000.000€)

Certo, tem diminuído a taxa de crescimento da dívida. Mas é esse o grande sucesso coelho-portiano? Depois do sangramento (fácil) em salários e pensões e das reduções na saúde, educação e benefícios sociais foi tudo quanto conseguiram: continuar a fazer crescer a dívida, mas mais devagarinho? É disso que tanto se orgulham e o êxito que reclamam?

(Médico: Trago-lhe boas notícias diminuímos a velocidade de crescimento do seu cancro.

Paciente: A velocidade? Mas então, embora mais lento, continua a crescer. ..

Médico: Pois, ainda podemos aumentar a dose…)

Para nosso bem (que a sangria continua), bom seria que, ao menos, resultasse e que à carnificina sucedesse a regeneração; infelizmente, a simples crença (medieva) não cura nem resolve e o fracasso do governo vamos pagá-lo com (muitos) juros (em inglês “interest”, “Zinsen” em germânico) que a alguém interessam.

(Por pedantismo cultural) a esquerda deixou à direita a economia (e finanças), deu nisto.

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