“THE CRUCIBLE” (AS BRUXAS DE SALÉM) DE ARTHUR MILLHER por Clara Castilho

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Numas fontes de informação diz-se que foi hoje que terminou o julgamento das Bruxas de Salém, em que cinco mulheres e um clérigo foram executado, em 1692, após terem sido acusados de bruxaria.

Mas não é sobre o evento que quero falar. Mas sim do livro de Arthur Milher, The Crucible, publicado entre nós com o título de As Bruxas de Salém. É uma peça teatral, escrita em 1953.Considera-se que a escreveu tendo em atenção a situação política no seu país – Estados Unidos da América: vivia-se uma perseguição a pessoas consideradas comunistas, num período que ficou conhecido como “macartismo”.

Tendo sido apresentada na Broadway, não foi muito apreciada… Mas venceu o prémio Tony como a melhor peça do ano. Hoje, é um clássico, estudado quer no ensino médio, quer no universitário. É um retrato da sociedade na década de 50.

Foi duas vezes  adaptada no cinema. A primeira adaptação, em França, em 1958, por Jean-Paul Sartre. A segunda, em 1996 pelo próprio Miller. Em 1961 foi adaptada para o formato de ópera pelo compositor Robert Ward que recebeu um prémio Pulitzer de melhor música por seu trabalho nessa adaptação. Também houve várias adaptações para a televisão.

bruxas de salem

O enredo anda à volta de  Elizabeth Parris, de nove anos, e Abigail Willams de onze, que começaram a exibir comportamento estranho, como blasfémias, gritos, ataques convulsivos, estados de transe etc., no que foram seguidas por outras meninas de Salem. Os médicos concluíram que as meninas estavam sob influência de Satanás.

“HATHORNE: Reverendo Hale, veja o que diz. Não se trata de mentir. O senhor não pode dizer que confessar é mentir.

HALE: É mentir sim senhor. Eles estão todos inocentes!

HATHORNE: Não consinto que diga isso!

HALE (Para Elizabeth): Não se deixe enganar sobre o seu dever, como eu me enganei sobre o meu. Eu também era cheio de princípios e hoje vejo o quanto estava enganado. Dou-lhe um conselho, senhora Proctor: não se agarre a grandes princípios quando esses princípios fazem correr o sangue. É enganadora a lei que nos conduz ao sacrifício. A vida, mulher, a vida é o mais precioso dos bens de Deus, e nenhum princípio, por mais glorioso, pode justificar que seja tirada a alguém. Peço-lhe, portanto, senhora Proctor, insista com o seu marido para que confesse. Ele que minta. Deus condena menos um mentiroso do que aquele que sacrifica a vida por orgulho. Convença-o, suplique-lhe.

HATHORNE: O seu marido vai morrer ao nascer do dia. Isso não significa ? A senhora é de pedra? O Demônio terá secado em si todas as lágrimas de piedade? (Ela fica em silêncio). Levem esta mulher daqui para fora. Nada a comove!

ELIZABETH: Não foi enforcado. Se ele negasse a acusação, seria enforcado e vendiam suas propriedades em hasta pública. Por isso ele não disse nada e morreu cristão. Desta maneira os filhos ficam com as terras.

[…] PROCTOR: Então como morreu ele?

ELIZABETH (Delicadamente) Esmagado ((Delicadamente) Esmagado, John. Iam-lhe

colocando enormes pedras sobre o peito para obrigá-lo a responder. Contam que apenas disse duas palavras: “Mais uma”. E morreu. Era um homem sem medo, Giles Corey.

[…] PROCTOR: Tenho pensado: e se eu confessasse? (Ela não reage). Que dizes? Se eu dissesse o que eles querem?”

Sobre a forma de “exercer justiça”, poderemos, então comparar com o momento a escrita da peça: toda a perseguição, dominada pelo senador McCarthy que levou dezenas de artistas e intelectuais a comissões do congresso, nas quais eram estimulados a confessar ligações subversivas e, sobretudo, delatar seus companheiros – em nome do respeito ao interesse nacional e a integridade da pátria, supostamente ameaçada.  O próprio Miller foi chamado para depor perante ao Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas.

  “São novos tempos, meu senhor. Está em marcha uma trama nebulosa tão subtil que seria um crime nós nos apegarmos a velhos respeitos e amizades antigas. … o Diabo está vivo em Salém e nós ousamos não ceder ao seguir para onde aponta o dedo acusador!”

“O acusador agora é sempre sagrado? Eles nasceram hoje de manhã, limpos como as mãos de Deus? Eu digo ao senhor o que está a solta em Salém: vingança é o que está à solta em Salém.”

-“Qualquer defesa é um ataque ao tribunal? “Todas as pessoas inocentes e cristãs estão contentes com o julgamento de Salém”

“Mas bruxaria é, ipso facto, na aparência e em sua natureza, um crime invisível, não é? Portanto quem pode testemunhar a respeito? A bruxa e a vítima. Ninguém mais. Agora não podemos esperar que a bruxa se acuse, certo?…. Portanto, o que resta para um advogado apresentar?

 

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