A aparição do ISIS no palco que é o Médio Oriente veio complicar ainda mais a vida das populações da região. Mas não só. Entretanto, os efeitos da instabilidade na região têm reflexos por todo o mundo. Desde as chancelarias ocidentais, que se debruçam regularmente sobre os problemas que ali se deparam, preconizando soluções que se vêm verificando sucessivamente serem inadequadas, até famílias de gente modesta, que habitam em diferentes países do mundo, que vêm partir os seus filhos, aliciados por fanatismos que muitos julgavam extintos, ou pelo menos, rejeitados pela grande maioria das pessoas, e vão cometer actos ignóbeis, de que os seus próximos os julgavam incapazes, é praticamente a todos os níveis que se começam a fazer sentir os reflexos dos acontecimentos naquelas paragens.
É compreensível que as populações do Médio Oriente, e de outros países próximos, pelo menos grande parte delas, se sintam tentados a seguir líderes religiosos, que lhes prometem um caminho melhor para a saída dos graves problemas com que se debatem. A criação do estado de Israel foi um erro grave, ou pelo menos, não foi orientada de molde a não ir agravar as tensões existentes na região. Os métodos utilizados pelos seus responsáveis no relacionamento com a população palestiniana têm incendiado os ânimos por todo o Médio Oriente e não só. Nunca poderá haver paz na região com estados assentes na fé religiosa. O princípio da separação do estado e da religião tem sido essencial para o progresso civilizacional. Abandoná-lo terá consequências gravíssimas, como aliás está bem à vista.
Entretanto, por cima disto tudo, as estratégias do Ocidente têm assentado no afastamento dos governos dos países do chamado terceiro mundo de todos os que de algum modo se poderiam opor às suas políticas. E promover governos que afastassem a qualquer preço esses oponentes. Desde o Irão de Mossadegh até ao Egipto de Nasser, a hostilização sem freio de todos os que de algum modo pusessem em causa os interesses ocidentais, a começar pelos referentes ao petróleo e à alta finança teve como resultado a promoção de governantes cujas ideologias e estilo de vida talvez já estivessem ultrapassados na Idade Média, em detrimento dos que têm procurado divulgar valores mais modernos e melhorar a vida das suas populações. O resultado está à vista.