UMA NOVA CULTURA DE FAMÍLIA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Segundo o Inquérito à Fecundidade de 2013, em 2012, Portugal foi o país da União Europeia com o menor índice de fecundidade.

Questionamos se os portugueses não querem mesmo ter mais filhos e porquê. O referido Inquérito diz-nos que apenas 8% dos inquiridos respondeu que não queria ter filhos ou ter mais do que um.

Comparando Portugal com outros países, por exemplo a Holanda, verifica-se que há mais Holandeses (são 18%) a não querem filhos ou mais,

Os portugueses gostariam de ter pelo menos um filho.

Foi com alguma ternura que pensei  nas mulheres e nos homens que querem ter filhos e não os podem ter, ou que não lhes dão condições para os terem.

A questão nacional que aparece em grandes letras nos jornais ou são alvo de abertura dos telejornais é bem mais complexa do que a simples explicação da crise.

António Barreto, presidente do conselho de administração da FFMS, considera que não há diferenças significativas entre a fecundidade das mulheres e a dos homens.

Esta constatação, no Inquérito, vem desfazer o preconceito de que “É grande em Portugal a tendência de culpabilizar as mulheres da baixa taxa de fecundidade, porque querem estudar, trabalhar ou ser como os homens“.

Pergunto o que é ser como os homens.

As empresas que poem como condição para a contratação de trabalho o facto de a mulher se compremeter  a não engravidar num prazo de cinco anos, deveriam ser penalizadas a favor dessa mulher. Só a mulher decide se quer ser mãe, não os empregadores!

 E aos homens será posta a condição de não serem pais num prazo de cinco anos?

Será que os pais estão a assumir a responsabilidade de ficarem em casa quando os filhos ficam doentes, de ir às reuniões nas escolas, será que lhes é natural fazer alguns dos ditos “trabalhos domésticos”?

Foi com alguma ternura que pensei  nas mulheres e nos homens que querem ter filhos e não os podem ter, ou que não lhes dão condições para os terem.

Esta questão é transversal a todas classes sociais e a todas as condições económicas das famílias.

Senti ternura porque são pessoas para quem ter um filho está nos seus projectos de vida.

Dizer ,agora não posso porque estou desempregado, voltei para casa dos meus pais porque não consegui pagar a prestação da casa” é dramático para toda a sociedade.

Ver os nossos meninos  correrem atrás das pombas, ter medo do escuro, acreditar no Pai Natal, ir pela primeira vez para a escola, não há kodac para mais tarde recordar, há um não sei quê de felicidade que só os pais podem viver.

Tenho escrito muitos textos sobre crianças maltratadas, mas penso nestes pais como pais bem tratantes, que saberão fazer crescer os seus meninos e meninas num clima de liberdade e de respeito mútuo, que saberão ensinar-lhes a partilhar, que saberão ensinar que vale a pena lutar pela paz e pela diversidade cultural.

Por que não acreditar em famílias tranquilas em que não há violência nem negligência?

Todos temos a obrigação de começar a lutar por uma outra cultura de família.

Pensemos na nossa família e vejamos o que fazer. Posso dizer que há tanta coisa pequenina decisiva na formação das crianças.

bia 24.8

Vale a pena lutar pela natalidade, não esquecendo nunca os Direitos da Criança e o Superior interesse da Criança.

 

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