SOBERANISMO, UM SUICÍDIO PARA A EUROPA, por YANN LOUARN

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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SOBERANISMO, UM SUICÍDIO PARA A EUROPA

Uma tribuna livre e de circunstância 

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Yann Louarn, LE SOUVERAINISME, UN SUICIDE POUR L’EUROPE – Une tribune libre de circonstance

Revista Metamag,  23 de Maio de 2014 

Enquanto uma vaga dita “soberanista” se preparava para se manifestar plena de alegria aquando das eleições europeias de domingo próximo, os defensores da Europa unida parecem ter dificuldade em se fazerem ouvir de tal modo a ideia europeia é actualmente encarnada pela Comissão de Bruxelas, constituída de membros nomeados pelos governos soberanos dos Estados da Europa, e por uma aliança económica e política enfeudada aos interesses americanos e aos mercados económicos mundiais.

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No entanto, esta construção europeia possui uma legitimidade nomeadamente em relação com a história da sua civilização  de milénios. Esta tem visto permanentemente os povos da Europa a unir-se, a partilhar, a inventar, a construir-se em conjunto, em descobrir o mundo, sem ter sido capaz de impedir contudo as guerras fratricidas e os conflitos de poder. Assim, o século de 1914-2014 terá conhecido duas guerras civis que dizimaram milhões de europeus, entre os quais uma boa parte da elite do início do século passado. No entanto este terá sido ao mesmo tempo o século do grande suicídio dos povos Europeus pela guerra e também o século portador de uma vontade de apaziguamento e de construção de um conjunto político e económico coerente, enraizado, forte. É contra esta esperança na construção de um conjunto político e económico coerente, enraizado, forte que se opuseram os governos franceses, ingleses e alemães, no entanto supostos serem os motores da Europa e isto durante décadas. E o resultado por eles alcançado é todo ele o fruto da sua dependência económica total e sem condições face aos EUA desde o fim da segunda guerra mundial.

A esta desejada construção europeia estes países opuseram-se e de que maneira?  Estes países opuseram-se :

– através da criação de instituições tecnocráticas, sem legitimidade popular, mas principalmente apagando todos os vestígios do seu passado comum, das suas tradições, da sua civilização, das suas religiões, o que deveria constituir a base da União Europeia.

–  alargando sucessivamente um espaço considerado apenas como espaço económico e em assumindo o desejo, desde há décadas, de nele fazer entrar a Turquia , isto ´+e, na verdade o império otomano, inimigo histórico da civilização europeia, neste conjunto “sem alma”.

– quando  deixarem a América assumir diversas guerras e até mesmo nelas colaborarem em pleno terreno Europeu, como na Sérvia, no Kosovo, como igualmente nas guerras de influência, como na Ucrânia, contra a Rússia.

– ao abrirem em grande as fronteiras da Europa, favorecendo a imigração em massa que veio principalmente de África ou do Magreb para a França, da Turquia para a Alemanha e da Ásia para a Inglaterra. Uma imigração que, pouco a pouco, apareceu aos povos da Europa, como a vontade de uma minoria de os querer substituir puramente e simplesmente por outras populações. Assim, tornou-se corrente de Birmingham a Bruxelas passando por certos bairros de Paris ou de Berlim, que os europeus de raiz sejam aí minoritários.

– porque, no final, estes dirigentes dos países europeus não eram mais do que soberanistas a defenderem os seus próprios interesses económicos e os de uma pequena oligarquia dominante hoje. Marine Le Pen, Mélenchon ou De Villiers, tal como o eurodeputado Farage no Reino Unido, na verdade não são senão os seus filhos.

Crianças contestatárias certamente: mas que defendem elas ao certo?

A soberania da sua pequena nação como um espaço geográfico e entidade histórica em face à união necessária dos povos europeus, para estabelecer uma soberana e poderosa Europa. Isto mesmo que eles abertamente recusam às pequenas pátrias que constituem a França ou a Inglaterra, como evidencia a vontade de Marine Le Pen em suprimir as regiões, em não querer reconhecer as línguas regionais ou a vontade do senhor deputado Farage em apelar ao voto contra a independência da Escócia.

Estes “soberanistas”, em quem muitos europeus se preparam para votar e que dizem ser o último baluarte do seu povo (contra quem? quê?) são na verdade a faca que poderá provocar r o suicídio de todo um continente. Um suicídio para o qual, no entanto, os principais responsáveis estão no seio da Comissão em Bruxelas e nos meios que construíram esta Europa tecnocrática.

O que quer o senhor deputado Farage, hoje? Impedir que os imigrantes da Europa de leste visitem  a Inglaterra, de lhes retirar todos os direitos sociais, de “os atirar ao mar”. Mas onde estava este senhor na altura em que toda a Inglaterra estava indignada contra as palavras de Enoch Powell, que previra “a invasão do país” pelos povos do terceiro mundo? Onde estava o senhor deputado Farage quando segmentos inteiros da Grã-Bretanha caíram sob a influência islâmica e da Ásia? Ele não falou . Ele ficou em silêncio. E hoje, é uma paquistanesa responsável da juventude no seu partido, o UKIP, que pediria aos cidadãos ingleses que fossem votar neles, os candidatos do UKIP,   e para enviar para a “casa deles” estes europeus de Leste.

Tal como hoje, os dirigentes da Frente Nacional, irão defender uma “tolerância zero” para com os romenos e uma restrição da imigração vinda do Leste Europeu. É também o partido de Marine Le Pen que se apega aos “domínios de além-mar (os DOM – TOM) os últimos vestígios do colonialismo de que toda a Europa paga hoje as suas consequências e ao mesmo tempo recusa que um grego ou um alemão participe nas decisões colectivas da União dos Europeus.

Quando Jean-Luc Mélenchon, dirigente da Frente de esquerda e soberanista jacobino,  declara ele, também,  que os franceses estão mais próximos culturalmente do Mediterrâneo, do Magreb e de África do que da Estónia e da Ucrânia e que têm um futuro comum, não diz nada que não seja o que os soberanistas “de direita” dizem, nostálgicos de uma época passada, agarrados aos seus dogmas (em particular ao da França universal ou ao da Inglaterra conquistadora) e cegos em face às grandes mudanças, incluindo as demográficas, da história que aí vem.

Que consequências, qual o impacto na vida dos europeus que uma vitória ou um avanço dos separatistas nas eleições terá? A taxa de desemprego irá diminuir porque Madame Le Pen e o senhor deputado Farage se irão sentar juntos mais frequentemente e com um maior número de membros do Parlamento Europeu? Os bancos irão deixar de emprestar a altos juros aos Estados que, no entanto, garantiram a sua sobrevivência? Os milhões de estrangeiros que desejam entrar na Europa em que eles acreditam ser um Eldorado, esse desejo abandoná-lo-ão eles espontaneamente? As mesquitas que florescem por toda a Europa irão fechar elas as suas portas? Os nossos campos repovoar-se-ão eles por milagre?

Não, isso é bem claro. Porque o Parlamento Europeu não tem poder, mas principalmente porque estes separatistas não pretendem de modo nenhum derrubar as elites que eles próprios consideram, e com razão, serem ilegítimas, eles ainda consideram  também a razão ilegítima.

Estes mesmos soberanistas também não pretendem inverter o processo migratório que leva à grande substituição em curso na Europa, uma vez que Marine Le Pen e o senhor deputado Farage são partidários implacáveis da assimilação e de uma sociedade na qual a bandeira nacional é mais importante que a identidade regional, étnica, religiosa ou cultural.

Pensar o contrário, acreditar numa saída da Europa que irremediavelmente quebraria o futuro comum dos povos que a constituem é mentir para si mesmo, é aceitar simples e inevitavelmente que após a queda do Império Romano, após as guerras fratricidas do século XX, a Europa e os europeus acabam definitivamente com a sua história e com a sua civilização, atolados num magma ao lado do qual a guerra dos Balcãs se assemelharia ao paraíso na terra.

Transformar a Europa, tal como ela é hoje, isso é óbvio. Mas para isso ainda é necessário amar os povos que a constituem, e defender a ideia de uma Europa-poder.

“Quando os bárbaros estavam às portas do Império, os romanos discutiram o sexo dos anjos”.

Yann Louarn, LE SOUVERAINISME, UN SUICIDE POUR L’EUROPE- Une tribune libre de circonstance, Revista Metamag,  23/05/2014

http://metamag.fr/metamag-2063-LE-SOUVERAINISME–UN-SUICIDE-POUR-L-EUROPE-Une-tribune-libre-de-circonstance.html

2 Comments

  1. Todo o problema reside na existência de estados europeus que nada mais são que produtos da expansão imperialista. A pequena Moscóvia deu o que deu e tudo feito pela rapina; a França que, cito De Gaulle, foi feita à ponta da espada , a partir da região parisiense foi colonizando todas as nacionalidades que encontrou; Castela, a partir de Madrid fez a mesma coisa; o Reino Unido é mais outra construção conseguida pela força das armas; a Alemanha, recentíssima nada mais é que o expansionismo da Prússia. Como não estão contentes com tanta roubalheira, agora, para apanharem o resto da Europa inventaram a balela da união europeia. Mais um império romano?; mais uma aventura a mando do Vaticano;? mais um sonho Napoleónico?; mais uma violência a modos de Hitler ?ou,um invento pueril como é o invento da Bélgica?
    Quantas Nacionalidades Oprimidas nesta Europa que, para enganar tudo e todos, fala, sem parar, duma coisa que não pratica: a Democracia e o respeito pela identidade das Nações.CLV

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