WIM BOTHA, UM DAS ARTISTAS DA EXPOSIÇÃO “ARTISTAS COMPROMETIDOS? TALVEZ” por Clara Castilho

Já aqui falámos da exposição patente na Fundação Gulbenkian até dia 7 de Setembro,

“Artistas Comprometidos? Talvez”. Está Integrada no programa de Cultura Contemporânea, Futuro Próximo, dedicado à investigação e criação na Europa, em África, na América Latina e Caraíbas. Iremos falar de alguns dos artistas que a compõem.

Hoje, cabe a vez a Wim Botha . Nasceu em Pretória, em 1974, num bairro suburbano e formou-se na universidade da sua cidade de origem.

 wim botha

 O seu trabalho começou por estar intimamente ligado à iconografia popular associada à cidade. Inspirou-se em símbolos de manifestações populares eminentemente políticas, públicas e urbanas. Consegue criar obras de um sincretismo absoluto, ao aproximar deliberadamente a cultura de massas de linguagens e temas da cultura artística erudita do Ocidente.

Os materiais que recentemente usa – poliestireno, lâmpadas de néon – são pouco clássicos mas ele consegue agora adoptar um género de arte mais classicista, acentuando uma certa dimensão espiritual.

 Recebeu numerosos prémios e o seu trabalho é visto nas grandes exposições internacionais.

Ele diz: “Os meus trabalhos são um processo de atingir a essência. Eles tentam atingir a redução das ideias pré-concebidas e os factores universais que se encontram subjacentes a essas ideias. O seu trabalho também oferece aos espectadores visões do que as pessoas precisam para que as coisas façam sentido, quer seja a grandiosidade, a religião, a decoração. A obra exposta – Soplipsis VII – refere-se ao solipsismo, concepção filosófica segundo a qual a existência do “eu” é a única realidade verificável, e que defende ainda que, para além de nós, só existem as nossas experiências.

Quanto a isto não me pronuncio. Mas que se pode estar um tempo imenso observando a obra, de vários ângulos, evocando ela em nós, muitas vivências anteriores e muitos sonhos, lá isso é um facto. Contrastando com a violência dos gritos dos porcos de Berna Reale, mesmo em frente, nos momentos em que eles não guicham, consegue-se quase flutuar com a escultura de Wim Botha.

 

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