Minha mãe terra – poema de Adão Cruz

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Agora sei que minha mãe terra é esta terra de barro e planície

este chão de sol vermelho e pedras de silêncio sem história.

 

Sei agora que minha mãe terra dorme nas tímidas cores do horizonte

no interminável mundo de paletas impossíveis.

 

Agora sei que minha mãe terra é o irrevogável rosto do passado

entre braços vazios e vozes que não se ouvem.

 

Sei agora que minha mãe terra vive no eco das palavras ditas

ao longo de ruas sem qualquer sentido.

 

Agora sei que minha mãe terra é o fim desta terra interminável

das palavras que ninguém ouve e das cores que ninguém vê.

 

Sei agora que minha mãe terra não é o calor do caminho da manhã

mas o frio das horas magoadas nos dias que nascem sem nome.

 

Agora sei que minha mãe terra é o lugar entre o sonho e a miragem

recriado no tormento deste barro moldado sem memória.

 

Sei agora que minha mãe terra é segunda infância sem futuro

esta inocência singular de uma pintura sempre inacabada.

 

Agora sei que minha mãe terra é o amor perdido no granito

falsamente incendiado pelo fulgor do sol poente.

 

Sei agora que minha mãe terra é o chão desta planície muda

adormecida nos frágeis sonhos da madrugada.

 

Agora sei que minha mãe terra

é a saudade de tudo o que era… e não é nada.

 Iustração – quadro de Adão Cruz

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