Minha mãe terra – poema de Adão Cruz carlosloures31 de Agosto de 201429 de Agosto de 2014Literatura Navegação de artigos PreviousNext Agora sei que minha mãe terra é esta terra de barro e planície este chão de sol vermelho e pedras de silêncio sem história. Sei agora que minha mãe terra dorme nas tímidas cores do horizonte no interminável mundo de paletas impossíveis. Agora sei que minha mãe terra é o irrevogável rosto do passado entre braços vazios e vozes que não se ouvem. Sei agora que minha mãe terra vive no eco das palavras ditas ao longo de ruas sem qualquer sentido. Agora sei que minha mãe terra é o fim desta terra interminável das palavras que ninguém ouve e das cores que ninguém vê. Sei agora que minha mãe terra não é o calor do caminho da manhã mas o frio das horas magoadas nos dias que nascem sem nome. Agora sei que minha mãe terra é o lugar entre o sonho e a miragem recriado no tormento deste barro moldado sem memória. Sei agora que minha mãe terra é segunda infância sem futuro esta inocência singular de uma pintura sempre inacabada. Agora sei que minha mãe terra é o amor perdido no granito falsamente incendiado pelo fulgor do sol poente. Sei agora que minha mãe terra é o chão desta planície muda adormecida nos frágeis sonhos da madrugada. Agora sei que minha mãe terra é a saudade de tudo o que era… e não é nada. Iustração – quadro de Adão Cruz Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...