Podem homens de saias querer mandar em sua casa?
Nos países latinos, logo se encontrará quem diga que por usarem saias não se lhes pode confiar a responsabilidade do mando – coisa para quem veste as calças.
Nas terras altas, e baixas, da Escócia há quem pense diferente e se importe menos com o que cobre (ou descobre) as pernas e mais com o direito de decidir do seu próprio destino.
Escocesas e escoceses, com a força da sua vontade, contrariando a poderosa Britânia, ganharam a possibilidade de dizer de sua justiça sobre como (por quem) querem ser governados.
O referendo sobre a independência da Escócia é já no próximo dia 18 de setembro.
As últimas sondagens indicam uma subida do Sim que alcança um “empate técnico”, a uma distância de quatro pontos da vitória.
Mas qualquer que seja o resultado final deste referendo, a Escócia deixa-nos uma lição de democracia ao mostrar ao mundo que não há direitos imperiais, históricos ou outros, duns povos sobre outros; que não são só as ditas colónias, domínios ou províncias ultramarinas que têm direito à autodeterminação.
E que, afinal, a liberdade dum povo começa com o exercício do direito a decidir sobre o seu presente e futuro.
Sim, só é livre quem pode decidir sobre a sua vida e governação, com ou sem kilt.

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Escócia: sempre a subir nas sondagens o Sim (51%) ultrapassa o não (49%).
Prova dos nove no dia 18.
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