GOSTO DAS MULHERES QUE ENVELHECEM, DE NUNO JÚDICE – tradução italiana de SIMONETTA MASIN

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Gosto das mulheres que envelhecem, de Nuno Júdice

 

 

Gosto das

mulheres que envelhecem,

com a pressa das suas rugas, os cabelos

caídos pelos ombros negros do vestido,

o olhar que se perde na tristeza

dos reposteiros. Essa mulheres sentam-se

nos cantos das salas, olham para fora,

para o átrio que não vejo, de onde estou,

embora adivinhe aí a presença de

outras mulheres, sentadas em bancos

de madeira, folheando revistas

baratas. As mulheres que envelhecem

sentem que as olho, que admiro os seus gestos

lentos, que amo o trabalho subterrâneo

do tempo nos seus seios. Por isso esperam

que o dia corra nesta sala sem luz,

evitam sair para a rua, e dizem baixo,

por vezes, essa elegia que só os seus lábios

podem cantar.

 

 

In Poesia Reunida

 

 

 

Amo le donne che invecchiano

 

 

 

Amo le

donne che invecchiano,

con la fretta delle loro rughe, i capelli

caduti sulle spalle nere del vestito,

lo sguardo che si perde nella tristezza

delle portiere. Quelle donne si siedono

agli angoli delle sale, guardano verso fuori,

verso l’atrio che non vedo, da dove sono,

benché intuisca lì la presenza di

altre donne, sedute su panche

di legno, sfogliando riviste

comuni. Le donne che invecchiano

sentono che le guardo, che ammiro i loro gesti

lenti, che amo il lavoro sotterraneo

del tempo nei loro seni. Pe questo aspettano

che il giorno corra in questa sala senza luce,

evitano di uscire in strada, e dicono sottovoce,

a turno, quella elegia che solo le loro labbra

possono cantare.

 

 

 

Trad. Ita. de Simonetta Masin

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