INTRODUÇÃO A UMA NOVA SÉRIE – SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA FRANÇA, FALEMOS ENTÃO DA POLÍTICA DE HOLLANDE. – por JÚLIO MARQUES MOTA

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Introdução a uma nova série sobre Leopardos tomando como país de referência a França

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Na sequencia da situação de conflito interno criado  pela posição assumida por António Costa, na sequência da previsão dos debates que se iriam realizar  e do vazio de soluções que deles necessariamente iria surgir,  o que tem sido assinalado por vários comentadores, organizámos uma longa série de trabalhos sobre um verdadeiro Leopardo, Matteo Renzi, e descobrimos que na tragédia italiana três Leopardos se distinguem: Napolitano, Presidente da República, Matteo Renzi, o líder em ascensão, secretário-geral do PD e, por fim, Berlusconi. E em Portugal?  Se olharmos para o espectro político português, não poderemos chamar Leopardo a Passos Coelho, uma verdadeira hiena na selva por ele criada e que dá pelo nome de Portugal, não podemos chamar Leopardo a Cavaco Silva, um fantasma, surdo e mudo, a morar num espaço que tem tradição de Republica, mas aí bem escondido na sua ignorância absoluta de economista agora neoliberal, assinando leis sobre leis que são o oposto da sua declaração de que Portugal estava a entrar numa espiral deflacionista, de que, aliás ainda não saiu. Apenas poderemos chamar de Leopardo a Paulo Portas, honra seja feita a Salinas, a Lampedusa, a Visconti, Paulo Portas a viver num local outrora país e que país há-de ser, onde não é  acusado de nada enquanto que na Alemanha, potência  dominante de toda a Europa não pela força dos canhões mas pela força da dívida pública, há gente condenada pela corrupção do que a Portas vendeu, os submarinos. De Leopardo, temos pois um, outros se perfilam no horizonte e não creio que sejam Costa ou Seguro, mas sim eventuais seguidores de um ou de outro, dado pensar   que a atitude de Costa, rasgando para já o PS em dois,  impondo a sua agenda ao PS e ao Pais, é o que pode gerar. Leopardos de direita e possivelmente alguns ditos de esquerda.  Um resultado possível, pois Portugal vai-se tornar ingovernável à medida que vai cumprindo a agenda económica imposta a Bruxelas pelos monetaristas sediados no Bundesbank e, por tudo isto,  torna-se favorável ao aparecimento de candidatos a soluções que levem a que alguma coisa tenha de mudar para que  tudo fique na mesma. .

Acabámos então a série SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA ITÁLIA, FALEMOS ENTÃO DE UM BOM EXEMPLAR.

Nesta  série falava-se da visita de Matteo Renzi a Paris  e da resposta de François Hollande a Matteo Renzi, onde se dizia:

“Em Paris encontrou-se com o Presidente francês, Hollande, que tinha sido eleito para desempenhar o seu papel como baluarte contra as políticas de austeridade e para proporcionar um ponto de viragem para o crescimento e o emprego. Pena que entretanto se tenha convertido à tese de que “a oferta cria a sua própria procura” e prossegue agora, reduzindo a carga fiscal em nome e a favor das empresas francesas como a única maneira de aumentar a sua competitividade, enviando Keynes às urtigas, como também nós o tínhamos expurgado da Constituição italiana em 2012. Os franceses ter-lhe-ão dito que o relacionamento com os amigos alemães continuaria a ser a prioridade deles, embora se congratulassem com os esforços feitos pela Itália para sair do pântano.”

A partir daqui. interessámos então por fazer uma segunda série, agora sobre a França. De menor dimensão, a  esta série, uma vez que a temática é a mesma, damos-lhe o título de SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA FRANÇA,  FALEMOS ENTÃO DA POLÍTICA DE HOLLANDE.

E de Leopardos em França há muitos, sobretudo no  PSF e na UMP, os partidos até agora do poder e dizemos até agora porque  nuvens negras, muito negras mesmo,  pairam sobre o céu de França.  Este interesse pela edição de uma nova série aumentou ainda mais quando lemos a peça de Francisco Assis Astérix e a social-democracia, publicada no jornal Público a 11 de Setembro de 2014.

Uma peça que assinala pela alta qualidade de escrita e pelo refinado cinismo do seu texto e das suas elipses a certeza de que estamos perante um potencial Leopardo e de alto gabarito. O futuro o demonstrará e se assim for terá feito um longo caminho a partir da pancada sofrida em Felgueiras.  No caso em presença, todo o seu texto é o oposto do que se disse na série sobre Itália e sobre a Itália foram mais de 20 artigos em  que participaram muitos economistas italianos de relevo, muitos deles,  pelo que nos  interrogámos face ao texto publicado no jornal Público. Que fazer?

Pois bem, fizemos uma série sobre a França em que  no início de cada texto está um pequeno excerto do  texto de Francisco Assis.  Que se julgue  o excerto face ao texto por nós publicado ou que se julgue este mesmo  texto  face ao excerto de Francisco Assis, são as duas opções possíveis para quem estiver interessado na leitura dos mesmos. Garantidamente não lhe propomos ver a montanha a partir da planície e simultaneamente ver a planície a partir da montanha, como propunha Maquiavel.  Escolha a imaginação de um verdadeiro Leopardo em potência  ou escolha a análise desencantada daqueles que sofrem em França pelo conjunto de políticas que claramente começam a esfarelar o país onde se deu a Revolução de 1789 e em que agora o primeiro-ministro em exercício nos vem agora dizer que  a esquerda pode morrer!  Esta série terminará com um texto de Brad Delong, onde nos  propõe que comecemos a chamar as coisas pelos seus verdadeiros nomes. Isto a propósito das mistificações sobre a crise.

Boa leitura sobre os 16 artigos que iremos publicar sob o tema referido.

Coimbra, 13 de Setembro de 2014

Júlio Marques Mota

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